01/08/2022

VOCÊ ACREDITA EM DESTINO? (*)


Fixado no horizonte do “interiorzão” que não chove, ar seco, sou acordado com um leve tapa nas costas.

- O destino provocou este reencontro depois de tantos anos.

Nem sabia o nome do meu “destinado” não o reconheci.

Ele se reapresenta. Sou o F. do Colégio…

Com muito esforço me veio uma imagem jovem, um estudante já acadêmico, então, agora mal vestido, barba por fazer. [Mal vestido? O “meu” pessoal diz que do jeito que ando, se estender a mão na rua posso até receber umas moedas].

- Ah, sim, me lembro agora. Você recitava marxismo naqueles tempos “perigosos” e agora vem falar em...destino?

Ele ri. Pergunto o que ele faz porque me parecera um sujeito muito culto naqueles tempos.

Me olha como se saísse dali, seus olhos se perdem no vazio, alguns segundos depois sem responder:

- Quando moleque, nas rodas adultas, não poucas vezes ouvi quem perguntasse aos interlocutores – “Você acredita em destino?” Você, não?

E prosseguiu:

- Os antigos também, com o inesperado da vida, se indagavam sobre o destino; se a vida, no essencial tinha desígnios fora do controle, as fatalidades.

Percebendo que estava eu atento:

- Olha não para complicar mas há duas tragédias gregas pré-socráticas que explanam sobre os efeitos do suposto destino, “Prometeu acorrentado” de Ésquilo e “Édipo Rei” de Sófocles. Nem falo de Sócrates com aquele seu sentido crístico. Uma coisa curiosa, ele rejeitou o suborno proposto por um discípulo para facilitar sua fuga de Atenas e da cicuta. Volto às tragédias. Prometeu fora acorrentado por ajudar, instruir os homens, os mortais, com uma série de culturas práticas de vida, inclusive o manejo do fogo. Zeus é apresentado como um deus cruel, vingativo, que castiga severamente Prometeu e quando este o desafia, mesmo acorrentado, seu castigo é agravado: o abutre do deus todo dia devoraria um pedaço do seu fígado - que é reconstituído durante o dia. Algo como o inferno de Dante, castigo eterno. Quanto a Édipo, o Oráculo de Delfos previra para o menino uma tragédia bárbara: mataria o pai e se casaria com a própria mãe. Fora, então, abandonando numa várzea, salvo por um pastor e, com o decorrer da vida, esse “destino” se realizou: matou seu pai e se casou com Jocasta, sua mãe. Dessa tragédia sairia o complexo de Édipo de Freud.

Pensou um pouco e foi concluindo:

- Claro que são peças teatrais mas elas atravessam os séculos, 400, 500 a.C. Quanto há de reflexão nisso?

- Pois bem, disse eu, eu tenho comigo uma tragédia que bem jovem muito me emocionou. Pois foi assim. O menino era apelidado de Bila, Quantos anos, quatro ou cinco? Quase todos os dias pela manhã, tomava seu café e saía à rua, sentava-se na guia e comia sua fatia de pão com manteiga.

Naquela manhã, ninguém sabe de onde, foi atacado por um cachorro louco – mas louco mesmo! O cachorro doente teve que ser morto e o foi com um taco de baseball arrumado na hora. Os ferimentos no rosto do Bila foram tão graves que ele não resistiu e faleceu poucos dias depois. Veja, um menino tão jovem com um destino tão trágico? Que emocionou tanto!

- Ah, meu caro, Sócrates, não sei se defendendo ideias de Platão admitiu a imortalidade da alma e os renascimentos sucessivos. Saiba, então, que no Evangelho de João, quando Jesus cura um paralítico ele o adverte: “não peques mais, para que não te sucedas coisa pior”. Em que momento da vida do paralítico “coisas piores poderiam acontecer”? Afinal ele fora curado havia pouco… e perdoado. Se a alma é imortal… há “dívidas contraídas” para serem saldadas nalgum tempo? Pode ser um castigo ou um aprendizado. Talvez o menino tivesse um “saldo” de vida a completar com uma tragédia. Observe em sua volta as diferenças nos semelhantes. Olha, meu caro, você acredita em destino? Responda aí. Vou saindo porque não estou agradando.

Usei meu chavão:

- Sabe duma coisa? Não explico sequer o sabor duma manga, o espocar duma rosa. Nada sei do essencial da vida…

F. riu, e quem sabe? e rapidamente saiu do meu campo de visão como uma sombra.





(*) Publicado na Revista “O Ginasiano” nº 41 de agosto de 2022.

Acessar: https://online.fliphtml5.com/umpdp/niwr/?1659322162764



09/06/2022

MINI RESENHA AMBIENTAL

MINHA” ÁREA VERDE

Já falei sobre isto: há alguns anos, aqui bem perto de onde moro, há uma “corredor” de áreas verdes que "cortam" no seu final pelo menos três ruas sem saída.

Na do meio mal formada, poucas árvores, há anos, com uma velha piscina de plástico recolhi uma quantidade imensa de pedras e despejei na primeira área, sem árvores - um  depósito de entulho e com as minhas pedras.

Então, comecei gestões até ao aborrecimento na Prefeitura a ponto de, num domingo, ser surpreendido por uma grande motoniveladora que arrastou o entulho e as pedras para um terreno vizinho. Nada de anormal até porque mais tarde ali se construiria uma casa "fechando" a área. 

Com a área limpa, obtive mudas em Americana e num dia de chuva intensa eu as plantei pessoalmente.


Cresceram muito.

Mas, não foi somente essa a minha, digamos, “intervenção” nesse tipo de ação. Talvez tenha influenciado o plantio de ipês, em número razoável, em Águas de São Pedro.


PREDAÇÃO

Hoje, embora as árvores estejam grandes, há ainda a ação de predadores que insistem em “podar” indevidamente e até cortar uma ou outra sem qualquer motivo.

Numa delas deixei até um aviso para que o predador permitisse que a árvore se recuperasse aos primeiros brotos insistentes renascendo. No dia seguinte o aviso estava picado e os brotos arrancados.





Pior se deu com uma muda de bananeira que plantei ali.

Todas as mudas que insistiam em se desenvolver eram pisoteadas.

No exato dia mundial do meio ambiente a última delas foi, também, destruída.

Se fosse permitido que elas (as mudfas) se desenvolvesse, estariam, com forte possibilidade hoje, de estarem com cachos pendurados. Se ninguém aproveitasse os frutos, aproveitariam os passarinhos e os gambas esfomeados porque seu ambiente natural praticamente não existe.

Bananeiras tem algo de “divino”. Numa noite, “explode” no silêncio um coração e, então, o cacho começa a se desenvolver pela manhã.


Um dia, na área verde do meio plantei uma muda de “pau brasil”. Sem entender as razões, uma  semana depois essa muda estava arrancada.


Mas, estou me acostumando com esses desgosto. Há mentes predadoras, indiferentes que não sabem bem o que fazem.

E essa irresponsabilidade tem exemplos de quem dá mau exemplo. O caso do mito da "Amazônia é nossa" que vai sendo tomada pela a grilagem, pela posse ilegal de áreas imensas, desprezo fatal aos indígenas, a derrubada vertiginosa e criminosa das florestas isso tudo está tácita e inconsequentemente autorizado.


FRASES

(De artigos e crônicas que escrevi - neste caso a mais antiga é de 1984)

I

 Enquanto isso, os técnicos, diante dos fenômenos naturais incomuns que se intensificam no mundo todo, costumam achar explicações científicas e racionais concluindo, em outras palavras, que se trata de um capricho da natureza.

● Dessa forma, acima dos cálculos e dos gráficos, latentes e poderosas permanecem as mensagens intuitivas que, silenciosamente, vão nos dando a medida das coisas. E a essas, não é nada coerente ignorarmos.

A natureza age com outras forças. Notem os prognósticos dos meteorologistas, cuja única tarefa é analisar as condições do tempo. Passam horas diante dos seus instrumentos e gráficos e com que frequência erram em suas previsões.

1984

Acessar: O FAZEDOR DE DESERTOS


II

● Entre nós, de muito pouco podemos nos vangloriar. A motosserra trabalha incansavelmente e de modo insano, tanto na Amazônia e no pouco que resta da mata Atlântica, ora para captar madeira nobre, ora para produzir carvão, ora para aumentar pastos, significando nesse caso, que as áreas devastadas ficam a um passo da desertificação.

● Esse efeito também se dá em razão das imensas plantações de grãos, embora seja imperioso preservar áreas verdes nessas plantações de tal ordem a garantir um mínimo de equilíbrio. 

2003

Acessar: UM MUNDO EM DEVASTAÇÃO


III

● Não explico sequer o sabor duma manga.

● Do espocar duma rosa!




Da vida nada sei do essencial.

Acessar: NADA SEI DE ESSENCIAL


IV

● Há uma indagação interessante: as planta rompem com a lei da gravidade ao levar para os altos, quantas vezes por metros acima do solo, sua seiva e eu acrescento, também a água para produzir frutos. São as raízes espécie de bomba d'água? O que dizer, para ficar num exemplo simplório, a frutificação das laranjas e a abundância do seu sumo? 

Acessar: VIDA SECRETA DAS PLANTAS  (Trecho)


V

(Trechos de um artigo transcrito no portal do CPTEC/INPE - 22.09.2010)

As queimadas, provocadas deliberadamente ou não, são as nossas tragédias diárias que se propagam pela incompetência oficial em coibi-las e combatê-las. Dai o agravamento da situação ambiental e a ampliação da desertificação em imensas áreas. 

● O meio ambiente pede ajuda.                                              

"Esquecemo-nos, todavia, de um agente geológico notável – o homem. Este, de fato, não raro reage brutalmente sobre a terra e entre nós, nomeadamente assumiu, em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos. Começou isto por um desastroso legado indígena. Na agricultura primitiva dos silvícolas era instrumento fundamental – o fogo."

● A citação acima, refere-se aos desertos provocados em regiõe diversas antes predominantemente no nordeste com as queimadas praticadas de modo desastroso que, ao longo do tempo, foram devastando imensas áreas de "flora estupenda".

● Não foi ela extraída de algum manual recente de entidade ecológica, entre tantas nacionais e internacionais que criticam a omissão brasileira na questão das queimadas havidas na floresta amazônica. Ela é de autoria de ninguém menos que Euclides da Cunha, ao estudar "a terra" em seu livro "Os Sertões", cuja primeira edição apareceu em 1902.

● Então, já então no início do século passado, demonstrando certa perplexidade e amargura, apontava Euclides o absurdo das queimadas para abrir espaços para a atividade pastoril ou, "ao mesmo tempo o sertanista ganancioso e bravo, em busca do silvícola e do ouro".

● Décadas e décadas se passaram e a prática do fogo continua destruindo desordenadamente as florestas brasileiras, quase que extinguindo a mata atlântica e agora, em proporções assustadoras, vai predando própria selva amazônica e o cerrado.

● É brutal a omissão oficial a essa calamidade, cuja fumaça das queimadas – provocadas ou não - cega transeuntes, fecha aeroportos e dificulta a respiração de crianças, exatamente na região antes conhecida como o "pulmão do mundo", qualificativo que fora um orgulho para nós brasileiros, pelo menos para os que pensam um pouco mais à frente.

● À omissão, aliam-se o absoluto desrespeito à vida, pela natureza e pelo mistério das matas virgens, com as milhares de vidas que sustentam, levadas de roldão, inapelavelmente, pelo fogo.

Acessar: QUEIMADAS E DEVASTAÇÕES



PENSAR? Nem pensar...






09/05/2022

VOLTA AOS TEMPOS POÉTICOS (II)

NADA SEI DE ESSENCIAL    


Ah, meus caros, aqueles tempos

De (ir) responsabilidade e

Imortalidade...

Isso era o que eu sentia

A felicidade era em si mesma

Não percebida mas vivida,

Mas, o existir não é sempre assim

Os chamados da vida que um dia chamam

Os dissabores até severos e os amores

Laços de família

Tudo vai vencendo, indo

Eis me aqui, agora, certo de minha mortalidade

Nestes tempos que… assustam.

Nada tem respeito, nem as florestas

Os animais

Habito em mim mesmo

Miro-me no espelho fixo-me nos olhos,

O que há atrás deles, onde habito?

Então, sabendo da mortalidade

Tantos do meu tempo se foram, já.

Sou instruído que da vida o essencial ninguém sabe

Não explico sequer o sabor duma manga

Do espocar duma rosa,

Bato nas janelas opacas da minha habitação

Não há resposta

Apenas um tênue sentido de religiosidade

Na interioridade, nos sonhos...

Os sonhos o que são? 

Que interações há nos sonhos com vivos e... mortos

Bem, não me é dado ir além do que sou

Um simples mortal com os dias contados...

E depois?

Nada sei do essencial...






06/04/2022

CRÔNICAS E OUTRAS LUCUBRAÇÕES.

1. O ENCONTRO DAS CRÔNICAS: os efeitos do tempo

Em 1994 escrevi uma crônica que se referia à velhice e as lembranças que ficam da infância. O título: "Desfecho de uma vida simples".

Baseando-me em fatos daqui e dali, de saber e ouvir dizer, escrevi a crônica relatando a decepção do idoso ao descobrir que de tudo de precioso de sua infância nada mais restava.

No tocante a Bíblia que ele abriu em oração naquele momento de amargura, fora uma experiência real da qual eu participei; uma professora de filosofia, religiosa, que não revelara nunca qual ramo espiritual que professava, em algumas aulas, aos interessados, fazia um tipo de jogo: ela abria sua Bíblia ao acaso lia o versículo "sorteado" na página assim aberta e, então, pedia aos alunos que lessem o texto escolhido. Brilhavam os olhos da professora à medida que os aluno participando do "jogo" revelavam diferentes interpretações do texto bíblico. E naquele exercício havia uma sensação de leveza.

Pois bem.

Para encerrar a crônica citada eu fiz exatamente isso. Abri a Bíblia ao acaso e o versículo "sorteado" foi muito apropriado para o desfecho da crônica.

Se a crônica interessar, acesse, clicando: Desfecho de uma vida simples

Essa crônica foi publicada recentemente num revista digital que congrega ex-alunos do Ginásio "Amaral Wagner" de Utinga (Santo André) denominado "O Ginasiano". (*)

O jornalista Ademir Medici em sua coluna no "Diário do Grande ABC" de 2 de abril último fez o seguinte comentário mas será preciso lembrar que essa análise partiu de um amigo o que pode conter gentilezas da parte dele:

"Milton Martins, em "Desfecho de uma vida simples", fala do homem que, ao completar 80 anos, resolve voltar à sua terra natal. Todo estilo de Anibal Machado, jornalista e escritor que faz parte da primeira linha dos autores brasileiros."

Mas, quem é esse escritor Anibal Machado que sequer ouvira falar?

Fui pesquisar sobre Anibal Machado. Quem era ele?

Para minha surpresa, é ele o autor do livro "Viagem aos seios de Duília: 

Eu não li o livro até agora. Conheci essa história por um filme brasileiro com o mesmo nome que gostei muito.

O enredo é simples: quando pré-adolescente ao jovem apaixonado, a menina Duília lhe mostra os seios.

Ele fica com aquela imagem encantadora. 

Envelhece, se aposenta, solteirão  sai em busca de Duília enfrentando uma viagem tormentosa, O personagem, então, encontra a mulher, mas o tempo fora implacável com ela: viúva, uma senhora envelhecida, avó, cujos encantos se perderam naturalmente depois de tantos anos.

Sobre essa obra, mas pelo filme que gostei, escrevi uma crônica que pode ser encontrada no meio de outras, acessando:

Em Croniquestas (I)

Para mim tudo isso foi um encanto. Essa descoberta.

Bom que se diga que eu também enveredei pelo passado. 

Em 2018 andei a pé por São Caetano e relatei essa experiência também numa crônica.

Se for de interesse, acessar: Memórias de São Caetano 50 anos depois

Pensei em voltar à cidade e rever lembranças que faltaram,  marcantes de minha juventude, mas resolvi não fazê-lo. Afinal o tempo passou e os ânimos, hoje, são outros.

E, ademais, minhas "árvores centenárias" há muito se foram e eu não preciso voltar lá para saber. Quem ler a crônica "Desfecho de uma vida simples" vai entender o que estou dizendo.

(*) A publicação digital "O Ginasiano" é idealização de  Dilson Nunes, ex-aluno do Amaral Wagner que também a edita.


2. A PROXIMIDADE DO BEM E DO MAL

Criei coragem e divulgo esta menos que uma reflexão, uma constatação, e nas madrugadas da vida, que desafiam a minha compreensão. Não adianta, me consolo e reafirmo que o essencial da vida, nós todos não sabemos.

Olhem, estas são explanações minhas e somente minhas. Em todos esses livros que tenho lido geralmente aqueles com temas ocultistas, é revelada uma distância muito tênue entre o bem e o mal.

Isso se revela, por exemplo, no livro "Zanoni" de Edward Bulwer-Lyton (*) no qual o Autor expõe numa passagem que, na tentativa de desvendar mistérios universais pela “magia” ao inepto para tanto, pode a experiência se transformar num distúrbio mental grave. 

Sim dá para sentir o bem e o mal em sutis influências que se transpõem: um pensamento construtivo, qualquer que seja, pode ser turvado instantaneamente por um outro de influência destrutiva ou de inveja, ou de ódio. Jesus Cristo foi assediado pelo demônio. Até Pedro foi rejeitado quando advertiu Jesus de que ele não seria sacrificado como anunciara aos seus discípulos (Mateus 16, 22-23).

Tenho pensado muito nisso. Tenho sentido essas manifestações contraditórias do bem e do mal com constância. A essa proximidade entre o bem e o mal vem-me à mente a imagem dum ônibus, sentados lado a lado, roçando ombros um dos passageiros com alto valor moral caridoso e o outro exalando a perversidade de uma alma doentia dando guarida à destruição à sua volta.

Como se explica tanta diferença nesta planeta? É o planeta notoriamente das contradições. 

Que mistério é esse?  

(*) Acessar resenha do livro: Zanoni















09/01/2022

ANO 78 - "RELATÓRIO"




Tenho para mim que ao atingir essa marca nada impede um breve relatório do que enfrentei nesses anos todos.

Juventude, dificuldades

Muitas, até me situar nos princípios da “existência”. 

De família classe média baixa não havia muito que aspirar. Mas, nada que eu me lembre me faltou. 

// Brinquedo de Natal. Acessar: Carrocinha de Natal

Numa reação a essa situação, vivi anos brilhantes na década de 60 em São Caetano do Sul naqueles tempos de “imortalidade” em que tudo brilhava, as músicas e os costumes mais respeitosos.

Sim, houve a “intervenção” militar, uma época difícil com censura e prisões sórdidas aos opositores, muitos apenas contestadores teóricos, duramente “castigados”.

O ano de 1965 para mim tornou-se inesquecível pela minha atuação na vida estudantil da cidade e na pequena imprensa de São Caetano do Sul, uma cidade modelo.

// Vida estudantil e outros em São Caetano, acessar: Vida e experiência estudantil em SANCA

Família

Casado há quase 53 anos com Ana Rosa, com cinco filhos e oito netos.


Milton, Gisele, Eduardo, Otávio e Silvio

Vida profissional

Trabalhei a maior parte de minha vida profissional em multinacionais automobilísticas.

Aprendi muito, mas a empresa que me marcou foi a Chrysler. Os desafios e os desgostos hoje encaro tudo como valiosa trajetória.

Em 1975, pela empresa fiz viagens por países da América Latina para compreender o que eram as negociações coletivas sindicais nesses países (Argentina, Colômbia, Venezuela – muito rica, então – e México).

// Experiência diferenciada no México, acessar: México a a brisa na pirâmide

Uma premonição porque três anos depois, em 1978, eclodiu a greve no ABC que significou uma abertura política.

Nessa greve, minha atuação quixotesca foi um desgaste total, relatei isso, mas hoje, décadas depois, considero uma experiência muito valiosa.

Algo para contar, “histórico”. 

No afã de convencer operários de minha fábrica de Santo André a voltarem ao trabalho, dando “um voto de confiança” usei palavras de baixo calão, uma delas hoje muito em voga nas redes sociais.

Fui interrompido na minha insensatez por um grevista que se apresentou como auxiliar de enfermagem:

- Como pode o senhor falar tanto palavrão…

// Greve de 1978, acessar: Greve de 1978 em SBCampo

Desde aquele 1978 tento me conter nesse vocabulário negativo do baixo calão que vibra mal na vida.

No final da década de 80 também profissionalmente, estive nos Estados Unidos com meu inglês ruim e relatei as peripécias.

// Eu e meu inglês ruim nos Estados Unidos, acessar: Inglês ruim nos Estados Unidos

Demissões

General Motors – São Caetano

Aprendi muito. Foi lá que me interessei pelo sindicalismo. Aliás, os dirigentes sindicais eram atendidos na portaria da empresa. Anos depois...

Hoje, de sindicalismo, não quero nem ouvir falar.

O supervisor, uma personalidade intempestiva, não percebia que humilhava seus funcionários. Eu às vezes era “intimado” a abastecer o carro que lhe fora designado, para ficar no menos. Outro colega num nível hierárquico pouco acima tinha por missão levar uma admirada loura dos escritórios para arrumar os cabelos fora, no horário de expediente.

Pedi demissão e lhe falei poucas e boas. Um erro.

Chrysler – São Bernardo / Santo André

Também me demiti porque o diretor de RH sempre que pedia alguma coisa dizia que a fábrica de Santo André tinha os dias contados porque adquirida pela VW. No terreno da fábrica de Santo André hoje há uma loja do Carrefour.



Também a fábrica de São Bernardo desapareceu.

Fui homenageado com festa de despedida, cartão de prata e, pelo trabalho que desenvolvi no clube da empresa, nome de troféu.



Bons tempos que só pertencem a mim essas leves lembranças num tempo que muito me marcou.

Poderosa multinacional de Piracicaba

Nos primeiros anos considerei a melhor empresa para a qual trabalhara.

Depois, houve a consolidação das fábricas. A unidade de São Paulo foi transferida para Piracicaba.

Não que a empresa tivesse piorado, mas não me dei bem com a mudança e não parava de repetir:

- Melhor para mim seria a demissão com o recebimento do pacote (um plano de incentivo aos demitidos com valores superiores ao que estabelecia a lei).

Eu não era muito conhecido da turma transferida e fizera restrição à transferência de pessoal operacional de lá, porque aqui sobravam.

Repeti tanto esse “desejo”, a ponto de se realizar: fui preterido e demitido. E ponto final. A primeira vez para valer...

"Não deseje insistentemente aquilo que você não deseja ou não tem convicção do que quer..."

Sim, foi doloroso aquele fim de semana porque eu estava na estrutura do departamento, mas senti o que sentem e sentiam os demitidos surpreendidos. E eu que demitira, por dever de ofício, tanta gente!

Dessas experiências todas cheguei a uma conclusão amarga: não há amigos na empresa apenas respeito hierárquico e interesses de sobrevivência. Quando o profissional nada mais representa nessa linha de interesse é ele descartado por mais que tenha feito aos superiores e aos subordinados. Talvez dos tempos da Chrysler eu tenha dois amigos com quem me correspondo às vezes.

Advocacia

A advocacia também se insere na vida profissional.

Formei-me na PUC – SP. Toda noite de Santo André na maioria das vezes com um Fusca-64 (motor meio fundido) ia até à rua Monte Alegre - Perdizes. 

Nunca tive moleza. Eu paguei toda a faculdade e o que mais necessário.

Embora tivesse trabalhado em multinacionais as principais acima referidas, a advocacia nunca deixou de me influenciar e ajudar.

Quando saí da Chrysler advoguei em Santo André / SCSul por algum tempo, um tempo bom de aprendizado.

Depois mudamos para Piracicaba. Fui contratado como assessor jurídico da poderosa multinacional. Respondera a um anúncio fechado que dera certo.

Todo profissional tem seus percalços, suas falhas. Mas, advogando em Piracicaba  desde1994 tive meus desgostos porque há momentos em que o Judiciário não julga, o processo é empurrado. E nesse empurra se materializa a sempre citada teratologia (decisão absurda). E o advogado se depara, sim, com magistrados pouco empenhados.

Mas, e as vitórias? Nada de soberba ou “contar garganta” até porque nem tenho mais idade para isso...

Como é bom ouvir:

- O senhor foi o primeiro advogado a conseguir aqui na cidade o “home care”;

- O senhor foi o primeiro advogado que derrubou a exigência de cobrança de taxas de manutenção imposta por associação a moradores que discordavam do fechamento do bairro que antes eram abertos.

E por aí vai.

Mas, o que me deu 15 minutos de fama foi o êxito em uma "ação popular" movida por moradores que resultou na derrubada de todos os muros de um bairro relativamente grande que fora murado de modo discutível fixando a associação respectiva, taxas de manutenção. Deu-se no Bairro Santa Rita (Piracicaba) tramitação acompanhada permanentemente pela imprensa local e regional.

// (V. "Persona" no Jornal de Piracicaba de 30.09.2018, acessando: Coluna "Persona" no Jornal de Piracicaba

// Vídeo da SPTV. Copiar e inserir no Google este endereço (há publicidade no vídeo):  https://globoplay.globo.com/v/6921605/

Hoje, ao completar a marca 78

Ainda advogo, pouco, meus clientes fieis viraram avós e os filhos e netos são de geração distante da minha. 

Gostaria muito de substituir o título de “advogado” pelo de escritor. Mas, escrever livros é difícil e, por isso, admiro esses indivíduos com esse talento porque, sobretudo, são rigorosamente persistentes nessa tarefa empolgante.

// Eu gostei de escrever o meu livro "Joana d'Art"- Acessar informações: Livro "Joana d'Art"




Leio bastante.

// Meu blog sobre livros lidos, acessar: Dos livros lidos

Estou tentando achar um novo rumo de atividades, mas me envergonho um pouco da minha pouca disposição (*)

No mais, há muito que dizer mas aí somente com um livro, digamos, autobiográfico.


Referências no texto:

(*) Em 27.06.2010 publiquei alhures este relato verdadeiro:

Minha idade de vida? 92 anos”

Desço tranquilo do 5° andar do Fórum João Mendes, em São Paulo. As coisas tinham caminhando bem nos meus (poucos) processos por lá e por isso havia baixado meu estágio “normal” de tensão quando da descida.

Alojo-me bem na frente da porta do elevador e ouço um velhote, mas bem idoso mesmo, debatendo com outro idoso algumas questões jurídicas.

Volto-me e me surpreendo com ele, magrinho, baixo, cabelo ralos dividido no meio. No térreo não resisti:

- O senhor é advogado militante? Posso perguntar sua idade?

O velhote me olhou de alto a baixo, segurou firme a gravata verde, vacilou um pouco, e respondeu:

- Sou advogado e minha idade são 92 anos.

- Mas o senhor ainda exerce a profissão?

Diante da resposta afirmativa, aquele que parecia ser seu cliente, também idoso, arrematou:

- E ele viaja para outras cidades para audiências e o que mais necessário.

Revelei minha admiração pela sua disposição para o trabalho e me envergonhei um pouco pela minha preguiça, mesmo depois de estar me aproximando das quatro décadas advogando ou indiretamente me valendo da advocacia para outros tipos de trabalho.

A advocacia é uma espécie de cachaça embora de “má qualidade” que vicia.

Sai para a rua de São Bento nos rumos de um velho bar para um lanche reforçado. Na frente da estação do Metrô, a uns dois passos do Largo de São Bento.

- Bom demais tudo isto! 


12/09/2021

COTIDIANOS...

Há aqui episódios  e fotos já divulgadas. Estou reunindo todos e as fotos nesta página,


1. QUANDO AS CIRCUNSTÂNCIAS SURPREENDEM

Perdi a conta dos seguros de veículos que contratei ao longo dos anos.

Até que, neste ano de 2021, resolvi não renovar o seguro do meu carro. 

Afinal de contas, já passara o tempo, 35 anos sem qualquer acidente de trânsito, o carro saíra de linha este anos mas ainda novo e me perguntava, no que aproveitaria o seguro?

Uns dez dias depois, em estado de graça, numa tarde de quarta-feira, resolvera dar uma chegada no fórum com um processo físico a tiracolo.

Paro no cruzamento tranquilamente, farol vermelho para mim,

Vira verde e vou em frente no cruzamento. Um carro menor passara no vermelho em velocidade. Eu o abolroo com alguma violência. A frente do meu carro, "estourada".  u

Um motorista idoso. Seu carro, já velho é jogada a centímetros de um poste fato que atestava sua velocidade. 

Ele levemente se feriu.

Fiquei um mês sem o carro, mas a família do motorista pagou tudo. apenas lamentando que eu não tivesse o seguro.

Carro pronto, o que fiz? Renovei o seguro e até hoje medito nas circunstância: que tipo de "carma" eu e motorista pagamos um ao outro?

Destaque: quando o farol voltou ao verde, parou ao meu lado um carro cabine dupla. O motorista deve ter percebido a minha desorientação sem celular carregando um volume de processo em papel. Disse:

- Eu vi, ele passou no vermelho.

A partir dai ele tomou as rédeas da situação: ligou para a polícia, para o guincho e tudo foi resolvido. Não pude agradecer. Dias depois, pelo celular não consegui o contato. Parece que ele me havia bloqueado. Mas, de que maneira? Certamente que não queria se envolver em eventual processo judicial.


2. UM CONCEITO ENTRE DEUS E A NATUREZA DE MUITA RELEVÂNCIA




Não tenho lido frase mais expressiva do que essa, proferida pelo astrofísico canadense de Montreal (nascido em 13.07.1932), HUBERT REEVES. 
De minha parte, ligado como sou na ecologia e na preservação ambiental, em 1966 escrevi isto apenas para preencher um espaço numa publicação com diversos poemas:

                                                               PENSE...

Pense nas flores silvestres e se tranquilize, 
Pense na singeleza das árvores e sorria, 
Pense na alegria da passarada, sinta o Criador, 
Pense no céu de doce azul, anime-se, 
Pense nos animais despreocupados, reflita, 
Pense na criança que nasce e confie, 
Pense no sol que brilha e não desanime, 
Pense num amanhã melhor e espere, 
Pense no que a lutar e lute, 
Pense em toda a Natureza 
Não se desespere, 
A Natureza é Deus...



3. LOUCURAS NA COLHEITA DE MAMÕES 

Mamões aqui são colhidos, tanto para consumo próprio como para ração de pássaros que fizeram de uma ameixeira um pensionato cheio de mordomias: diariamente bananas e uns nacos de mamão e vasilha para água e banho.

Já noto que maritacas também estão se utilizando da "pensão".

Então, acho que pela última vez, me aventurei a colher mamões diretamente do pé, cuja altura já superou o telhado.




Daqui para frente os mamões maduros ficarão para os pássaros e um gambazinho atrevido que toda noite nos "assalta" e aqui busca seu jantar. Esse da foto deve ser descendente de outros que por aqui passaram.




4. A CARA RISONHA DAS NOITES

Já falei sobre isto: por muito tempo nas noites quentes esse rosto “desenhado” por galhos da alta tipuana, às vezes sorridentes às vezes sério ao sabor do vento me fez companhia pelas madrugadas naquelas noites quentes.



Mas, como tudo na vida tem seu tempo o rosto, pelas transformações da árvore, se foi.

É preciso ampliar a foto

Só resta a Lua que para mim é um farol inexplicável mesmo que já tenha sido visitada.

Olha só o olho lunar:






5. ROSTOS NA FUMAÇA AO ATAQUE AO "WORD TRADE CENTER"

Essa coisa de ver rostos e imagens em árvores e até nas nuvens constitui-se até um passatempo ocasional de tantos.

O jornal "O Estado de São Paulo" de 4 de setembro estampou a foto abaixo, pela chegada dos 20 anos dos ataques às torres gêmeas de Nova York. (*)

Nela pude ver dois rostos: o da direita uma figura entristecida, resignada; o da esquerda, um rosto "assustador", voltado para a direita.



Uma dupla contraditória entre a resignação e o ódio.

(*) Foto: Sean Adair / Reuters


6. GALERIA: COMUNICAÇÃO SILENCIOSA COM MANIFESTAÇÕES DAS DIVINDADES.

Os tempos são de opressão, de forças obscuras.
Eu me desvio delas por instantes, apreciando estas manifestações: