03/10/2009

MEUS TEMPOS DE BULLYING











Cartaz do filme "Os Brutos também amam" (Shane)




Há tempo para tudo e tudo passa com o tempo. Essa frase de efeito me faz pensar em muitas coisas e até na palavra bullying que trata do fenômeno odioso da agressão gratuita que se dá no ambiente escolar. Pequenas gangs ou valentões “elegem” alguns colegas de classe ou da escola e passam a infernizar suas vidas. Diariamente.
Bully, do inglês, significa brigão e como verbo, ameaçar, amedrontar. Então, seria ameaçando, amedrontando.
Nos meus velhos tempos de ginasial me deparei com essas situações. Vivi essa experiência odiosa.
Em várias oportunidades fui vítima do hoje denominado bullying.
A que mais me lembro, refere-se a um sujeito sempre acompanhado de outros dois ou três, e fui eu o “eleito” para ser sua vítima. Era tapa na cabeça antes da entrada nas aulas e durante as aulas quando distraído o professor, rasteiras e por aí seguia. Por dias, semanas, meses.
Era um tormento minha chegada à escola. Tinha lá os meus medos do que poderia ocorrer se eu reagisse.
Até que um dia, no limite do insuportável, ao se aproximar para mais uma das suas à minha chegada, eu o empurrei violentamente. Ele caiu sentado, sob o olhar perplexo dos seus colegas, na verdade, uma ganguezinha. Todos riram.
- A seu fdp. Te pego na saída, disse ele raivoso e envergonhado.
Aquela manhã foi de pavor. Rezava para que ele fosse embora.
Na saída, do lado de fora do portão, lá estava ele me esperando. Toda a classe sabia do que viria. Um espetáculo de luta livre ao ar livre sob o sol ardente.
Eu naqueles tempos difíceis usava sapatos com solado de pneu, pesados, pois.
Fomos para um terreno próximo com farta assistência nos seguindo entusiasmada.
Descobri naquele dia que sabia brigar. Meu sapatão brilhou solto. Rolamos pelo chão de terra e poeira e por fim, meu bullyinista levou a pior. Abandonou a briga.
Claro que essa contenda teve repercussão na escola. Senti-me por uns dias o “Shane” de “Os Brutos Também Amam”, filme da década de 50 até hoje emblemático.
O sujeito no dia seguinte, hematoma num dos olhos, não conseguindo nem mesmo disfarçar as dores nas pernas, disse que ia para a revanche mas sossegou, nunca mais se aproximou de mim.
Peguei fama de bom de briga, nada a me orgulhar. Meu orgulho é nunca ter começado uma. Se já levei a pior alguma vez? Bem, não se pode vencer sempre...
Quero deixar este depoimento pensando no que se passa hoje, perplexo com o mostrado há pouco na televisão, a mãe ignorante incentivando a filha a surrar uma colega. E outros casos desse naipe e graves.
Há que serem apoiados aqueles que são vítimas do bullying. Vigilância permanente nas escolas para coibir a agressão física ou moral. E a atenção dos pais. Para os “eleitos”, é infernal cada dia e um pesadelo o dia seguinte, o dia seguinte, o dia seguinte...
E nada de imitar Shane. A malvadeza hoje supera qualquer vilão.

Um comentário:

Caio Martins disse...

Testemunho o fato! Posso afirmar que Milton jamais começou uma briga, em nossos tempos de "ginásio", mas terminou todas que lhe impuseram. Foi o amigo e colega que, por seu interesse por filosofia e metafísica, nos despertou curiosidade por essas áreas, nas quais também tinha (e mantém) "pegada de negão". Sempre há o que aprender com ele.