02/11/2015

FEROCIDADE HUMANA CONTRA OS ANIMAIS: OS ELEFANTES ENVENENADOS



Já não de hoje manifesto em crônicas outras minha perplexidade e desgosto profundo com a ação humana contra a natureza e contra os animais de um modo geral.

A insanidade do “homo sapiens” é tormentosa quando se fala da devastação das florestas, inclusive da Amazônia – semiabandonada - que, na contrapartida desse atos insensatos, há o aceno da mudança dramática do clima, o aumento da temperatura ambiente.

Todos sabemos o que ocorre além da devastação ambiental: níveis imensos de poluição expandida pela atmosfera não só pelos milhões de veículos em movimento como pela produção industrial poluente que se preocupa com os lucros imediatos e ignora as advertências severas que resultam dessas suas atividades sem que invistam em soluções permanentes.

Pouco adianta esses altos dirigentes simbolicamente e sem qualquer resultado prático, até demagogicamente, vez por outra aparecerem plantando umas árvores ou coisas do gênero. Sabem que o que se passa é de extrema gravidade mas dão de ombros imaginando que as futuras gerações, se sobreviverem, resolverão o desafio.

Por trás disso há pendente, clamando, a escassez da água que tende a se agrava pela elevação da temperatura ambiente, pelo desperdício e, claro, pelo aumento da população no mundo.

A tragédia humana não para por aí.

Na busca do dinheiro - que será sórdido, estúpido se considerado o modo como obtido – os animais também não escapam dessa sanha cruel pelo lucro. Instala-se a barbárie que os olhos se fecham, viram-se os rostos porque ali, na brasa, os churrascos vão sendo preparados para a delícia, muitas vezes, para alimentar grandes comunidades.

Não pensem, então, nos matadouros, um espetáculo de terror, de angústia profunda nos momentos antes do abate dos animais em vias de se tornarem peças de açougues.

Sim, tenho alguma dúvida sobre a proliferação do gado bovino, mesmo que tal se dê pela queima das florestas para ampliar os pastos e, dai, a poluição acrescentada pelo gás metano que também se expande pela atmosfera.

Há um documentário de natureza espírita que afirma terem os animais alma primitiva, reencarnam e, portanto, merecem a oportunidade do amor e do carinho dos seres humanos. E esperam por isso ao nos olhar como “deuses”.

Mas, o que poderia parecer – ou talvez até seja – uma contradição, o espírita reconhecido Divaldo Pereira Franco disse num vídeo que não renuncia à carne pelo seu teor proteico e porque Alan Kardec não era vegetariano. Chico Xavier também se referiu ao teor proteico da carne mas ressalva que o abandono desse “alimento” pode ser gradativo.

Sabe-se de sobejo que o vegetarianismo salvo nos excessos da dieta, não compromete a saúde de seus adeptos em nada.

 

A tragédia humana, porém, não para na discussão do teor de proteína da carne no trato brutal contra os animais e sua extrema crueldade.

Porque os caçadores sórdidos que matam por esporte, os que maltratam os animais estão a solta por aí impunes quando não ostentando seus “troféus”.

Eis que na reserva do Parque Nacional de Hwange, Zimbábue, desde setembro passado, 60 elefantes foram envenenados e mortos com a introdução de cianeto no reservatório de água no qual saciam a sede.


Diz a notícia que o “cianeto é amplamente utilizado na indústria de mineração do Zimbábue e é relativamente fácil de obter”.

[O cianeto, explicam os cientistas, é um veneno de ação rápida e fatal, podendo levar à morte em poucos minutos em decorrência de bloqueios respiratórios].

Os motivos?

Esses bandidos inomináveis, estúpidos, buscavam as presas dos animais para ganharem uns trocados. Esse marfim serve para colares e bugigangas e já usado, mas não mais (?) para confecção de teclas de piano.

Desses 60 animais mortos, o “consolo” é que a maioria das presas extirpadas foram recuperadas. E os elefantes? Ora, estão mortos do modo mais cruel e, de regra, esses criminosos nada sofrerão. Ora, eram elefantes e as presas foram recuperadas. Ora...

Fico eu imaginando, na integração irreversível do homem com a natureza, quais as consequências (trágicas) visíveis e invisíveis à vida humana com todos esses abusos e tragédias conscientemente provocadas tantas vezes irresponsavelmente a mais não poder.

Penso no aumento da agressividade, da intolerância, das carências, das guerras fúteis como resultados invisíveis...

Neste meu canto de angústia e de desgostos a ponto da emoção, não posso deixar de imaginar um futuro doloroso para os meus descendentes.

13/10/2015

QUANDO AS TRAGÉDIAS HUMANAS FALAM



(Um menino que sobreviveu ao nazismo)

Já não de hoje escrevo perplexo sobre os horrores que este mundo oferece a cada dia, menos pelas devastações de ordem natural e muito por ordem humana.

Com que frequência o terrorismo vem se sofisticando, utilizando de modo a agredir milhões, os meios de comunicação social, como tem feito, nos últimos tempos, o denominado EI – Estado Islâmico. Além da violência contra aqueles que não professam o islamismo radical, também chocam derrubando monumentos históricos que fazem ou faziam parte do que de mais relevante havia a preservar de modo perene porque apontavam passos dados pela humanidade, marcas de sua marcha relevante ou não mas que refletiam sempre uma lição de sacrifício ou de progresso.

Mas, para determinada mentalidade agressora ou opressora, este mundo não tem valia salvo se acompanhar suas idiossincrasias por mais distorcidas que sejam para o senso comum.

A violência não pode ser um atributo religioso ou cultural.

As guerras civis na Síria e Líbia tem gerado a fuga de milhares de sírios e líbios em risco mortal em seus países, pelas bombas, pelas armas letais. E se arriscam a morrer na travessia pelo Mediterrâneo, aliás quantos já se afogaram pelos barcos precários que sucumbem pelo excesso de peso, tantos são os que buscam uma saída para a vida. Já se perguntou e eu mesmo já fiz pela suposta submissão dos judeus aos nazistas, porque os sírios de um modo geral não se rebelam de modo contundente contra os lados em guerra, impondo alguma solução?

Porque a grande maioria deles, como se deu com os judeus massacrados pelo nazismo, antes só se preocupava com a vida, com a sobrevivência, com o trabalho, com os filhos. Não tinham como pegar em armas. E talvez nem sabiam como.

Desnecessário repetir que as guerras são uma tragédia cujas vítimas são essas pessoas. 
Na Síria, atualmente com a interferência da Rússia, difícil prever até que ponto de barbárie chegará essa tragédia.

Como dizem, esta é a Terra de sofrimentos, de agressões, com momentos de ternura. Ainda bem que há.

Digo isso tudo, para me referir a um livro “O Menino da Lista de Schindler” (*) cujo autor principal, Leon Leyson juntamente com mais de mil outros judeus foram salvos pelo nazista Oskar Shindler.



Shindler nos tempos bárbaros do nazismo era um bon vivant, dado a festas e dispondo de propinas polpudas para preservar os “seus operários” judeus em suas fábricas.

A contracapa do livro explica o caminho dado à história:

“Quando em 1939 o exército alemão ocupou a Polônia, Leon tinha apenas dez anos. Logo ele e sua família foram confinados no gueto de Cracóvia junto a milhões de outros judeus. Com um pouco de sorte e muita coragem, o menino conseguiu sobreviver ao inferno e foi contratado para trabalhar na fábrica de Oskar Schindler...”

Há episódios emocionantes, a humilhação por que passou seu pai, um homem trabalhador, violentamente agredido pelos nazistas, os esconderijos para fugir da truculência da SS (em português, “tropa de proteção”), a fome que ele e sua família passaram, a procura de algo para comer, incluindo cascas de batata no lixo…

Quase toda a família sobreviveu. Em 1949 o pedido de imigração foi aceito e mudaram-se para os Estados Unidos.

Ele somente falaria de seu drama e de sua aventura de vida, à imprensa e aos seus alunos – se tornara professor de nível médio – e ao público após o filme de Steven Spilberg, “A lista de Shindler” que “desvendou” esse nazista incomum, Oskar Shindler, benfeitor, que passaria dificuldades com o término da guerra.

Um trecho revelador do livro, de fácil leitura:

“O dr. Neu – espécie de professor particular de matemática e desenho geométrico de Leon – não tentava minimizar o que tinha acontecido [no seu país e nos países dominados pelo nazismo]. Uma vez, enquanto eu contava uma história, sua esposa nos ouviu.
- Não sabíamos – murmurou. Ele dirigiu a ela um olhar cortante e falou:
- Não diga isso.”


(*) Livro “O Menino da lista de Schindler” de Leon Leyson com Marilyn J. Harran e Elisabeth B. Leyson (Rocco).


V. também, a crônica neste "Temas", "Guerra, por falar em... e suas tragédias humanas" de 24.02.2013

A fome no mundo ainda afeta milhões de seres humanos, sem higiene, sem dignidade, sem abrigo. Indiferenças. É um mundo de sofrimentos.




19/09/2015

O LIVRO, AS MOSQUINHAS VERDES E O LUAR




Aqui neste canto do escritório, já pelas tantas, livro aberto tento vencer o sono. Já é tarde. Nas páginas abertas mosquinhas minúsculas, verdinhas como revela a lupa, que se na horizontal cabem numa paralela de um milímetro.

De onde elas vêm? Do jardim seria improvável, por causa da distância. Chego perto com o polegar e elas alçam voo não superior a 40 centímetros. Batem nos meus olhos. 

Elas enxergam a ameaça do meu dedo indicador? Elas têm a percepção da ameaça, instinto de preservação?

São por demais minúsculas para tais reações “normais”. Tão pequenas que, antes de fechar o livro eu as espanto, não são muitas, para que não sejam amassadas pelo peso das páginas juntas.

Naquele momento, o universo dessas mosquinhas, essa viagem improvável, é o meu livro aberto.

Os olhos fecham pesados. Já é tarde.

Me estiro, então, numa cama confortável. Mas, não caíra tranquilo no sono ainda leve, tênue. Sou acordado por uma luz agradável, tépida: o luar bate no meu rosto, ultrapassando um vão da janela entreaberta.

Que coisa magnífica! De vez em quando sou agraciado por essa luz que sorrateiramente me invade e me faz bem.

Afinal, qual influência é mais forte? A gravidade da Lua sobre a Terra ou o contrário.

Não resisto, saio lá fora. O céu está límpido, sereno, mesmo as luzes da cidade não impede rever o incompreensível do universo.



São bilhões de estrelas, de sois até maiores que o nosso Sol, planetas outros imensos que, na escala do universo, a Terra cabe, com as equivalências, em duas paralelas de um milímetro.

E onde estou nisso tudo? Uma mosquinha com "voos limitados", cheio de angústias e alegrias, não poucas vezes perguntando o sentido dessa imensidão toda, da própria vida?

Volto para o quarto, o luar já não bate na cama, os astros se movimentam.

Se havia sono, agora a insônia comanda.

Há uma divindade que a tudo isso comanda?

Lá na interioridade admito que nada disso se refere a “geração espontânea”, nem a mosquinha diminuta que frequenta as letras do meu livro.

Impossível desvendar qualquer sentido dessa abóbada, dos conflitos e alegrias que me influenciam no dia a dia. E do que se passa em não mais do que meio metro de gramado.

Não penso em religião, tão contraditórios são seus conceitos.

Mas, repenso esta passagem do Bhagavad Gitâ (“A Sublime canção”), “episódio da grande e antiga epopeia hindu, intitulada Mahâbhârata [Maha – grande; Bhârata – Índia: então, a “grande Índia”], que contem 250.000 versos...”

A passagem:

“O caminho dos que Me reconhecem como o Absoluto e Imanifesto, é muito mais árduo do que o caminho dos que Me adoram como Deus manifesto e possuidor de forma. A concepção de Absoluto, Infinito é a causa mais difícil para a mente finita do homem. É muito difícil para o visível conceber o invisível, o finito conceber o infinito.”

E é nesta concepção que muitas religiões atuam, oram para o “Deus manifesto e possuidor de forma.” Imagens.

Toda essa impossibilidade de conceber o Universo e sua força, se encontra até mesmo na Bíblia, em que desenvolve desafio bem mais corrente, do dia a dia, ao se referir à chuva, neste trecho (36:26-28):

27. Porque faz miúdas as gotas das águas que, por seu valor, derramam a chuva,
29. Porventura pode alguém entender as extensões das nuvens, e os estalos da sua tenda?

Sim, muitos são os cientistas que contam com todo o aparato técnico possível mas não conseguem desvendar tantas e inumeráveis indagações que o Universo impõe. 


                            O tamanho da Terra em relação ao Sol

Talvez não deva me inibir em empregar a palavra correta: mistérios. Insondáveis. A qualquer descoberta, transpõe-se um muro mas em seguida outro mais alto se apresenta. E assim sucessivamente.

Amanhã, seguramente, ao abrir o livro, terei a companhia daquelas mosquinhas verdes frequentando suas páginas, suas palavras. O seu universo...

08/09/2015

A ESTRELA QUE ACOMPANHOU OS REIS MAGOS. MISTÉRIOS



Livro leve

Aqueles que me acompanham neste blog sabem dos livros que tenho lido e opinado, a maioria com temas densos – e bom que se diga, nem sempre acrescentando muito coisa no espectro cultural.

Não se negue em tantos deles, revela-se um relato original, uma história bem contada mas que se perde na memória.

Por isso, para uma pausa, procurei na estante ao meu lado, alguma obra perdida por aqui que tivesse algum interessante, fora daquela densidade que tenho revelado em minhas crônicas.

A Estrela de Belém

O livro que resolvi ler e de Malba Tahan, escrito em 1964, “A Estrela dos Reis Magos”, a Estrela de Belém.

[Livrinho bom]

O Autor tenta explicar, tendo como ponto de partida a opinião de estudiosos, teólogos e cientistas a “Estrela de Belém”, aquela que conduziu os três Reis Magos ao estábulo (presépio) onde nascera Jesus.

Esse fenômeno é explanado apenas no Evangelho de Mateus.

Em lá chegando, no berço do Menino, conduzidos pela estrela brilhante, ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra (resina perfumada).

[A tradição de dar presentes no Natal, começou com essas oferendas dos Reis Magos].

Discorre o Autor, antes de discutir propriamente o fenômeno da estrela, a imprecisão da data do próprio nascimento que teria se dado cerca de 5 anos antes da data proclamada oficialmente pelo que estaríamos hoje não em 2015, mas algo próximo de 2020.

A explicação no Evangelho de Mateus (2,1): Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém...” tem-se como data correta ou aceita que Herodes “o grande” morreria no ano 4 a. C. O nascimento de Jesus, então, se dera, pelos 5 anos antes da data estabelecida para o calendário.

Por outra, o 25 de dezembro, escolhido no ano 354 como data do nascimento, o Natal, tivera por objetivo excluir do calendário romano comemorações pagãs começadas nesse dia. 

E a estrela guia dos reis Magos? Que fenômeno fora? Uma providência divina? A estrela Dalva (Vênus)? Um cometa? A explosão de uma estrela “nova”?

Malba Tahan faz uma resenha de poetas que fizeram poesias sobre o fenômeno sendo muitas vezes mui crítico, sem dar margem à liberdade poética.

Sobre a “nova”, o Autor coloca em dúvida se o consagrado Olavo Bilac se referia a ela nestas estrofes:

Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.”

E então referindo-se a uma “estrela nova”:

Estrela nova… Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.”

Claro que seria herético então e com reservas agora, referir-se a uma nave interplanetária. Certamente que os ufólogos (de ufo, em inglês, “unidentified flying objects”) (*)

Os estudiosos da ufologia, moderados ou fanático argumentam com ardor que a estrela de Belém fora uma nave interplanetária.

Porque a estrela, segundo o evangelho de Mateus, poderia não estar sempre indicando o caminho até o estábulo onde nascera Jesus:

“Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino.

Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo.” (Mateus 9,10).



(*) “Ovnilogos” soa estranho (de ovni – objeto voador não identificado).

09/08/2015

"REPORTAGEM": MEMÓRIAS DE SÃO CAETANO. 50 ANOS DEPOIS



Esta longa crônica ("Reportagem") tem como motivação os 50 anos que se passaram de minha formatura no curso Clássico (1965) no Instituto de Educação “Cel. Bonifácio de Carvalho” o mais influente, então, no ABC.
Refiro-me, também, aos amigos velhos que “deixei” em São Caetano, a união entre o "Bonifácio de Carvalho" e o Centro Acadêmico que há muito não mais existe e andanças pelo Bairro da Fundação onde vivi minha juventude.
Em 29 e 30 de julho de 2015.

IDH sem índice ambiental
São Caetano é o município nº 1 no Brasil em IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, medida que faz parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e é calculado com base em três itens: renda, educação e saúde. A nº 2 é a pequena Águas de São Pedro. Houvesse uma medida ambiental no IDH, dificilmente Águas deixaria de ser a nº 1.
É em Águas que me escondo das contradições da vida e do Judiciário - instituição, todavia, da qual não me queixo. Da degradação ambiental que me comove MUITO mas que vai sendo tolerada até irresponsavelmente até...até quando? Quando a vida se tornar definitivamente insuportável?
Bem, São Caetano é cinza.


(Fotos acima de praça / paisagem de Águas de São Pedro)
(No último item desta “reportagem”, apresento uma “visão geral” resultado de minhas andanças e reminiscências que guardo comigo).
Amizades e amigos
Todos os meses os “sobreviventes” do Centro Acadêmico e do Instituto Estadual “Cel. Bonifácio de Carvalho” se reencontram numa pizzaria de São Caetano e nessas noites ao vinho e à cerveja, há um forte congraçamento.
Afinal, esses relacionamentos ultrapassam  meio século.
No encontro do dia 29 de julho último, no sacrifício, participei. Muitos deles a conhecer ou a reconhecer.
Ao longo da minha vida sempre me questionei sobre “amigos” e amigos. Não tenho certeza, talvez até esteja sendo injusto, mas os amigos não os conte nos dedos das mãos.
Nas inúmeras automobilísticas nas quais trabalhei, lembro-me de dois: menos que, digamos, subordinados - e não por isso – iam na lealdade acima desse “detalhe”. Empresas revelam amigos?
E dos “antigos” de São Caetano do Sul?
Posso ter mais por lá, mas dois sempre se fizeram presentes: 
Caio Venâncio Martins: amizade de mais de 50 anos entre tapas e reconsiderações. Poeta e cronista, fora ele quem nos últimos anos me incentivou a escrever, me encorajou aos blogs e a publicar artigos políticos no extinto “Vote Brasil".
E foi assim que saí do “quadrilátero” do meu escritório (sem estar nele, pela manhã, cedo, pelo menos, me parece um dia perdido).
Dai para frente os contatos nunca se perderam entre ideias, ideais – mesmo com a idade que nos espreita – e a necessidade da boa comunicação por esses veículos.

Caio Martins – não temos parentesco, mas há algo de irmandade que o sobrenome reforçou de modo indelével e definitivo.
A foto menos nítida aparece o Caio numa festa caipira promovida pelo Grêmio 28 de Julho o qual presidi naquele ano de 1965 (é o 3º da direita para a esquerda. Eu o 2° da esquerda para a direita).



Carmelo Conti: esse sujeito, muito humilde quando o conheci na década de 60 esteve comigo, de modo intenso em todas as atividades estudantis e mesmo na imprensa de São Caetano. Chegou a tal ponto que, ocasionalmente, me desmentia ou me corrigia quando relatava episódios dos quais participara eu até como agente principal. Em outras palavras ele sabia ou sabe mais do que eu de aspectos que a mim pertencem ou pertenciam diretamente.

Carmelo Conti – revisamos conceitos na noite do dia 29 de julho de 2015, sempre lembrando as iniciativas da primeira metade da década de 60, especialmente nas atividades brilhantes do ano de 1965 no Grêmio 28 de Julho.
Tempos memoráveis. Já lá se vão exatos 50 anos que também marcam o exato meio século de minha formatura no clássico do prestigioso I. E. “Cel. Bonifácio de Carvalho”.
A foto abaixo fora do “baile dos 10 mais” também promovido pelo Grêmio nos luxuosos salões do "Moinho São Jorge" - Utinga - Santo André. Carmelo está ao meu lado à direita. Na mesa pessoas amigas e diretores do Grêmio.

As reuniões mensais dos amigos “antigos” acadêmicos
Como disse, um grupo de amigos daquele período, seja do Centro Acadêmico, seja do “Bonifácio de Carvalho”, todos os meses, há tempos, se reúne numa pizzaria de São Caetano e, na confraternização que se renova, tem como motivação principal aqueles verdadeiros anos inesquecíveis, numa cidade pulsante, que a história não repetirá jamais.
Não convivi com todos os participantes diretamente. Havia escolas e mesmo grupos diferentes, então, mas todos eles têm hoje a mesma motivação em manterem esses encontros: a lembrança de momentos felizes, marcantes, de desafios que não conseguem ser esquecidos.
E, ademais, esse congraçamento entre o Estadual "Bonifácio de Carvalho" e o Centro Acadêmico, se dava em reuniões sociais, bailes mas também no esporte (voleibol) na quadra do Estadual: essas competições eram conhecidas como EST-ACA.




Fachada pela avenida Goiás, do "Cel. Bonifácio de Carvalho" em 1965

A foto abaixo se refere ao encontro de 29 de julho de 2015. Alegria de viver, de participar já passados dos 70 anos de idade, pelo menos na média.

 

Visão geral 50 anos depois
A cidade de São Caetano – o “C” do ABC paulista – foi marcante para mim, na juventude.
Foi lá que estudando o clássico no Instituto Estadual “Cel. Bonifácio de Carvalho” – o mais destacado da região – na década de 60 me envolvi intensamente na vida estudantil e militei na imprensa local.
Não dá para esquecer certos episódios da vida jovem. O ano de 1965 foi marcante por tudo que fizemos no Grêmio 28 de Julho e eu já nem era tão jovem, já tinha 21 anos.
Esse foi, também, o ano de minha formatura no clássico. Essa idade “avançada” porque fora no ginasial mau aluno, me recuperaria no bom Ginásio Amaral Wagner, de Utinga. (1)
Quantas vezes disse que a década de 60, com golpe, revolução – chamem do que quiserem - e tudo, fora por demais inspirador, pelo menos em São Caetano, que pulsava, uma influência cultural, estudantil e política positiva na região.
São Caetano tem uma linha tênue que separa duas regiões: acima da avenida Goiás – onde está a sede da GM – mais sofisticada e abaixo dela.
Eu vivi sempre abaixo dessa linha, no Bairro Fundação.
Das fotos
Não poderia, antes, perder a oportunidade de algumas fotos.
Visão da rodoviária e lembranças do viaduto dos Autonomistas

Nesta foto, tirada na estação rodoferroviária, destaca ao fundo a loja matriz da Casas Bahia. Ela se originou em SANCA. Ao lado direito, a entrada do viaduto dos Autonomistas que sai do centro ao Bairro da Fundação: em 1954 quando de sua inauguração, com a presença do prefeito Anacleto Campanella, estive presente. Menino, ainda, me aventurei até a estação da então Santos a Jundiaí e cheguei a ouvir os discursos.
Grupo Escolar “Senador Flaquer” (assim conhecido, então)

Fiz o primário nessa escola, tão marcante na minha vida jovem. Quando da formatura um professor-músico compôs um hino de despedida que começava assim:
“Adeus minha escola querida, jamais te esquecerei na vida, foste para mim um fanal [lanterna, farol] que me ensinou o saber ideal...”
O prédio, sem os muros de antes, está bem conservado.
Os “quadros” de São Caetano 

As pinturas que enfeiam a cidade são dessa arte... em profusão...
Não de hoje em momentos de revisão do alto de minha idade, meio século depois, sempre tive vontade de caminhar pelas minhas “origens”, mesmo sendo paulistano.
Chego de ônibus vindo Piracicaba, pela “Piracicabana”, me instalo num hotel que jamais evoluiu (Acácia), a vantagem da localização central, nem sei se já piorou e pergunto à atendente:
- Onde encontro um restaurante vegetariano por aqui?
A atendente nega conhecer algum, mas me indicou um restaurante de bom padrão na rua Santa Catarina:
- O senhor não precisa comer a carne.
A rua Santa Catarina é hoje um calçadão bem constituído mas com um defeito grave: não tem árvores e nem floreiras.
Almoço, volto para a estação, atravesso por baixo dos trilhos da CPTM pela galeria, já percebendo abandono e falta de cuidados e chego à galeria coberta da rua Francisco Matarazzo, não menos abandonada, com lojinhas e botecos.
No fim do quarteirão, metros a frente, causa espécie num local daqueles, central, um prédio inacabado, feio, com lojinhas precárias no térreo. E essa feiura perdura há décadas.
Desço para a Fundação, das minhas “origens” um bairro que se não era bonito no meu tempo, é pior agora. Eu nunca vi tanta degradação pelos cantos das suas ruas e a imensa poluição visual produzida pelos garranchos dos grafiteiros que se revelam, na verdade, vândalos. Não há prédio ou muro que escapa dessa ação poluidora, bruta (v. foto acima).
Uns 10/12 quilômetros de andanças depois, vou ao prédio do cine Vitória, um ponto intelectual dos acadêmicos da cidade, porque a sede (do Centro Acadêmico) ocupava uma das salas do prédio. Eu cheguei a trabalhar nesse prédio na redação dum jornal. O último andar, naqueles idos, era ocupado por associações culturais de prestígio.
Agora o prédio está num processo de ruína, a entrada fechada com grades, o cheiro forte de banheiro público.

O prédio do “Cine Vitória” como era
Já ouvira falar desse estado do prédio pelas minhas sobrinhas de lá, mas ver para crer. 

Memória que se perde.

Meio desapontado saí um busca de um Café com algum atrativo, com alguma apresentação para uma média e algum tipo de pão. Só encontrei botecos e desisti.
O bairro da Fundação, para amenizar a poluição visual e a poluição de tantos carros que transitam às margens do Tamanduateí – como muitas outras cidades – precisa de um banho verde. Muitas árvores plantadas nos cantos e recantos. Todas sabem que as árvores “humanizam”, os jardins enfeitam, as flores encantam. 

Já falei demais... 


Outras crônicas com referência a São Caetano do Sul (SANCA) neste Temas:

1. Versos para ningém (dias de ingenuidade): 19.04.2009
2. Raízes Sancaetanenses (I): 21.06.2009
3. Raízes Sancaetanenses (II): 11.07.2009
4. Ternuras, essa palavra feminina...(?) [referência ao ex-prefeito Anacleto Campanella]: 11.04.2010
5. Regressão (II) - Primeira Comunhão: 24.10.2010
6. Tradições, memórias, fragmentos (II): 04.09.2011
7. Saudades: 10.10.2014

Legenda:

(1) Endereço do facebook do Amaral Wagner (que parece está se tornando portal de negócios): https://www.facebook.com/groups/Amaral.Wagner/