26/06/2011

A (IN) SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER...ANIMAL!

O livro “ A Insustentável leveza do ser” de Milan Kundera – que acabei de ler - constitui-se obra de amor, erotismo e mistura seus episódios com a invasão soviética que pôs fim à denominada “Primavera de Praga”, um movimento com timbres democráticos iniciado em janeiro de 1968 pelo líder político Alexander Dubcek, na Tchecoslováquia. (1)
Preocupada com a repercussão do movimento iniciada a partir de Praga, a União Soviética em agosto daquele ano invadiu o país – então um satélite soviético - e com truculência não só impediu o avanço democrático na Tchecoslováquia como passou a perseguir os principais líderes e intelectuais que aderiram às mudanças.
É nesse clima que a história se desenvolve, a ponto de um dos principais personagens, um médico-cirurgião, perseguido, para sobreviver se torna lavador de vidraças e vitrinas.

Mas, é no final do livro que o autor foge um pouco do romance e avança sobre temas diferenciados, envolve sim, seus personagens, mas de certo modo se afasta da trama central.
O principal deles que me surpreendeu muito, foi o modo que denunciou a violência que o homem pratica contra os animais. “O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.”
Muitos são os pontos que me falaram muito de perto, por tudo que já experimentei nestes meus tempos: “Uma novilha se aproxima de Tereza, para, e olha para ela longamente com grandes olhos castanhos”.

Esse olhar sereno eu encontrei numa vaca a quem dera de beber e ao seu bezerrinho, há anos. Já relatei essa experiência inspiradora. (“Devidamente saciada, o animal ergueu a cabeça e seus olhos bateram nos meus. Havia no seu olhar muita doçura, gratidão...amor. Não! Definitivamente, não conseguirei mais voltar a comer carne.”) (2)



Mas, o que mais se destaca, é o relato do câncer que vitimou a cadelinha Karenin (tudo a ver com o personagem de Tolstoi, Anna Karenina), a ponto de, no auge da doença, ser sacrificada por falta de qualquer outra opção.
Isso se deu comigo, com a minha cadelinha “Preta”. Já escrevi também sobre essa dolorosa experiência, dolorosa, acreditem ou não. Às vezes, ainda hoje, tenho a impressão de ouvir suas arfagens perto de minha janela.
Ao contrário da cadelinha do livro, terminal, a minha tinha vida ainda, parecia saber de sua grave doença e parecia querer viver, o que tornou a decisão difícil e muitas vezes adiada.
No dia da despedida, como que pressentido que eu decidira pela sua morte, olhou-me de lado à minha carícia no seu focinho, aparecendo aquele branco resignado dos seus olhos que nunca mais conseguirei esquecer. Carrego comigo um remorso que não se apaga por não ter retribuído a afeto incondicional que sempre, por 17 anos, recebi. (“Nunca imaginei que naquele momento que não tive coragem de assistir, o nó na garganta, escondido no meu escritório, se convertesse em soluços amargos. Aquele sentido de perda que ainda me afeta...”). (3)


Sempre implico com Nietzsche porque, do alto da minha impossibilidade intelectual, não consegui ler ainda qualquer dos seus livros, apenas resenhas. Já disse isso numa crônica que indico abaixo. Mas, Kundera relata que o filósofo alemão, sai de um hotel em Turim, ano de 1889, no momento em que um cocheiro espanca seu cavalo com um chicote: “Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços.” (...) Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes – que considera o animal um autômato, uma máquina animada...” Quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas o ranger de um mecanismo que funciona mal.” (4)

Há uma frase de Milan Kundera que concordo integralmente porque com outras palavras também já a externei em crônicas:
“A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa ao nosso olhar) são as relações com aqueles que estão a nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras”. (5).
Se me surpreendi com esse capítulo do livro de Milan Kundera, não tenho como negar. Positivamente. Descobri essas passagens tardiamente – antes tarde...

Referências

(1) Editora Nova Fronteira, 32ª edição (1985). O livro inspirou filme do mesmo nome, de 1988, dirigido por Philip Kaufman, com os atores Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin;
(2) V. “Renúncia à carne (Animais brutalizados)” publicada neste blog em 08.03.2009 (também “Fábula a vaca e o leão” de 04.10.2010 crônica mais acessada do blog);
(3) V. “Mensagens e imagens” de 23.01.2011 (e também “Dias amargos” de 28.11.2010);
(4) Sobre Nietzsche, ver crônica “Dos livros que não consegui ler ainda...e os já lidos” de 17.10.2010;
(5) V. “Matança das baleias e outros bichos” de 12.12.2010. Também "Animaizinhos e Bichos" de 10.04.2009 e "O Leitãozinho" em http://golp-piracicaba.blogspot.com/2010/04/o-leiotaozinho.html

Imagens / Fotos:

(1) Vacilei em aproveitar essa 1ª imagem, não porque provenha de um site entre pitoresco e extravagante, mas porque poderia não ser bem apreendida. Mas, de certo modo ilustra o que digo na crônica. (Fonte: www.andreagaddini.it/voobovino.html)
(2) Figuras encontradas na Caverna de Altamira a 30 km de Santander, Cantábria (Espanha), datadas entre 15 mil a 12 mil anos AC. São desenhos de bisões, cavalos, cervos. São nossos “antepassados” homenageando seus animais que parecem levitar, mas os desenhos são realçados pelas saliências nas paredes da caverna.

ESPECIAL

Andre Rieu & The Harlen Gospel Choir

Excepcional apresentação que deve ser assistida até o fim.
Música: "I will follow him" de Frank Porcel e Paul Mauriat (tradução abaixo).



Eu o Seguirei

Eu O seguirei
O seguirei aonde quer que Ele possa ir,
E perto d’Ele, eu sempre estarei
E nada pode me manter distante,
Ele é meu destino.
Eu O seguirei,
Desde quando Ele tocou meu coração eu soube,
Não há oceano profundo demais,
Ou montanha tão alta que possa me manter,
Me manter longe, longe de Seu amor
Eu O amo, eu O amo, eu O amo,
E aonde quer que Ele vá,
Eu seguirei, eu seguirei, eu seguirei.
Ele sempre será meu verdadeiro amor, meu verdadeiro amor, meu verdadeiro amor,
De agora até sempre, sempre, sempre
Eu O seguirei,
Desde quando Ele tocou meu coração eu soube,
Não há oceano profundo demais,
Ou montanha tão alta que possa me manter,
Me manter longe, longe de Seu amor
Nós O seguiremos, onde quer que Ele possa ir,
Não há oceano profundo demais,
Ou montanha tão alta que possa nos manter,
Nós O seguiremos, aonde quer que Ele possa ir,
Não há oceano profundo demais,
Ou montanha tão alta que possa nos manter,
Nos manter longe, longe de Seu amor
Eu O amo, Eu seguirei
Verdadeiro amor, sempre
Eu O amo, eu O amo, eu O amo, E onde Ele for,
Eu seguirei, eu seguirei, eu seguirei,
Ele sempre será meu verdadeiro amor,
De agora até sempre, sempre, sempre...
Não há oceano profundo demais,
Ou montanha tão alta que possa me manter,
Me manter longe, longe de Seu amor

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