
Caça à baleia no modo praticado nos tempos de "Moby Dick"
Uma denominada impropriamente “baleia assassina”, a Orca, matou há pouco sua tratadora que a explorava com malabarismos num parque aquático na Flórida (parque temático Sea World Orlando). Confinada numa piscina, todos pensam que um animal daquele porte, fora do seu habit natural, reagirá sempre do mesmo modo fazendo graça e tolerando afagos. Equivocados. Embora com crueldade menor na aparência que as covardes touradas num dado momento, confinadas, essas baleias haveriam que assim reagir num momento dado agredindo o seu algoz aparente. Condene-se a baleia? Nem pensar. Se tal se desse, seria tão mais covarde que as covardes touradas. E o touro que atinge ou não seu cruel agressor, é ele sempre condenado.
Por falar em covardia, navios baleeiros japoneses continuam caçando baleias sob o argumento de que, mortas, serviriam para pesquisa científica, mas seus restos são enlatados, como atum.
Séculos sendo abatidas, num processo de extinção, o argumento da pesquisa científica é um despautério inominável.
Nessa prática covarde, esses baleeiros, com arpões de última geração ferem violenta e mortalmente esses animais que vivem nos mares como que os encantando.
Um desses baleeiros japoneses, há pouco provocou colisão com um barco da organização internacional “Pastores do Mar” que exatamente se opunha à mortandade desses magníficos animais. O barco, danificado, afundou. Esse não é o primeiro caso, nem será o último provocado pela arrogância japonesa.
Um livro emblemático escrito em 1850: “Moby Dick” de Herman Melville um romance volumoso e denso, clássico na descrição das tarefas dos baleeiros no século XIX e XX.
O Autor trata essa matança de um ponto de vista “profissional”, como profissional são os abatedores do gado nos abomináveis matadouros. O óleo obtido de cada um desses animais do mar, em grande quantidade, impropriamente chamado de “espermacete” servia principalmente para iluminação, queimando e desde aqueles idos, já poluindo a atmosfera com as suas emanações.
A descrição dos métodos de abate daqueles “peixes” que ele chama de Leviatãs, é de emocionar de tão cruel que são. A história trata de um capitão (Acab) em busca de vingança perante um grande cacholete branco que, numa reação a ataque sofrido no passado, decepara sua perna.
Mas, o Autor, em muitos momentos se resigna, como neste trecho:
“Sem dúvida o homem que matou pela primeira vez um boi foi tido como assassino; talvez tenha sido enforcado; se houvesse sido julgado por bois, sem dúvida teria sofrido essa pena, por certo merecida, se qualquer assassino a merece. Ide ao mercado de carne num sábado à noite e vede as chusmas de bípedes vivos olhando as longas fileiras de quadrúpedes mortos. Tal espetáculo não acorda o canibal? Canibal? Quem não é canibal? Digo-vos que será mais tolerável o Dia do Juizo para o fidjiano (*) que salgou um missionário magro na despensa, para prevenir-se da fome à vista, do que para ti, meu civilizado e esclarecido guloso, que prendes os gansos ao chão e regalas-te com seus fígados inchados em teu paté de foie gras”.
(*) Fijiano, no texto se referindo a selvagens das Ilhas Fiji
Caranguejos: um alento

"Torrente" de caranguejos
Saindo da floresta para o mar, milhões de caranguejos nas Ihas Christmas na Australia para a reprodução e desova. Vermelhos como são, desenham imenso tapete dessa cor e caminham com seus passos desengonçados nos rumos da preservação da espécie. Nos meses em que esse fenômeno ocorre, entre novembro e janeiro, estradas são fechadas para evitar o esmagamento de milhares deles ao mesmo tempo em que guardas florestais constroem pontes plásticas para que os bichinhos possam se locomover em segurança. Eis aí um alento.
Tartarugas e os ladrões de seus ovos
O sacrificio das tartarugas e seus predadores.
Muita crueldade. Um dó profundo
Este material circulou pela internet, como uma notícia constrangedora. Creio que seja autèntico pela clareza das fotos. Nas praias da Costa Rica, em localidade não especificada, moradores praianos se apropriam de ovos de tartaruga recém postos para venderem. O produto da barbarie se avoluma em sacos carregados nas costas pelos transgressores. Trata-se de cenas dolorosíssimas e de profundo dó.
“O outro lado”, por Marcelo Szpilman – Biólogo Marinho
A Costa Rica tem enorme tradição de conservação das tartarugas marinhas. O pesquisador americano Archier Car, pioneiro na conservação de tartarugas marinhas, há 50 anos já trabalhava para preservar a espécie Lepidochelys olivacea (tartaruga oliva) em Tortugueiro, Costa Rica, hoje um dos maiores sítios de desovas dessa espécie no mundo.
E uma das características mais impressionante dessa espécie é que ela produz as Arribadas, um fenômeno que ocorre exclusivamente na Costa Rica. As tartarugas saem juntas da água em direção à praia para desovar, aos milhares, por varias noites seguidas. São mil na primeira noite, cinco mil na segunda noite e assim por diante.
Em cinco noites, cerca de 100 mil tartarugas desovam em pequenas praias, com cerca de 300 metros, em um verdadeiro engarrafamento na areia. Os ninhos das primeiras fêmeas são revirados pelas outras, expondo-os ao tempo e aos predadores (aves, onças, crocodilos e gambás), o que muitas vezes inviabiliza o sucesso reprodutivo.
Na Praia de Ostional, na Costa Rica, onde esse fenômeno também acontece, e que está retratado nas imagens, os moradores locais, baseados em dados biológicos, são autorizados a fazer o aproveitamento dos ovos que são depositados nos dois primeiros dias da arribada e que seriam destruídos pelas fêmeas que desovam nas noites seguintes. Ou seja, os moradores locais coletam os ovos depositados somente nas duas primeiras noites e deixam os ovos desovados nas três noites seguintes.
Como tudo na vida há prós e contras, críticas e elogios. Porém, os conservacionistas da Costa Rica acompanham, através das analises cientificas, o desenrolar dessa experiência que há dezenas de anos mobiliza milhares de pessoas e tartarugas.
Como estratégia de conservação, busca-se fazer um manejo sustentado equilibrando os interesses. Assim não se perdem milhares de ovos, a comunidade local tem uma fonte de renda e as tartarugas fêmeas não são capturadas e continuam se reproduzindo.
ATUALIZAÇÃO: ESSA VISÃO ATENUADA DO BIÓLOGO PODE SER QUESTIONADA. EM 12.12.2010 O JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO" PUBLICOU A SEGUINTE NOTÍCIA: "A TARTARUGA-DO-AMAZONAS É UMA DAS ESPÉCIES DE QUELÔNIOS FLUVIAIS QUE VIVEM NO RIO AMAZONAS. SUA CARNE E OVOS SÃO MUITO APRECIADOS NA CULINÁRIA AMAZÔNICA, O QUE JÁ REPRESENTA UM RISCO À ESPÉCIE."
COMO SE CONSTATA, O ROUBO DE OVOS NA COSTA RICA PODE ESTAR ALÉM DO SIMPLES MANEJO SUSTENTADO SE CONSIDERADO O PEQUENO NÚMERO DE FILHOTES QUE SOBREVIVEM.
(Em Piracicaba - Estado de São Paulo, em época da piracema, pescadores marginais pescaram seis toneladas de peixe, no perído de reprodução. Não se preocupam, diante do lucro imediato que essa prática só diminui o número das espécies para os anos vindouros. Essa delinquência não pode ser atribuida apenas à ignorância mas a uma brutal irresponsabilidade)
É muita crueldade. Qual o tamanho de nosso débito a pagar às Divindades da Natureza?
Homo sapiens, tremei pelo que vos espera! A cobrança virá...