06/02/2011

JOANA D’ARC, A PUCELA


Tenho aqui comigo e vez por outra a consulto mais como curiosidade, quatro vlumes da hoje rara “Encyclopedia pela Imagem”, herança do meu pai. (1)

Por não constar uma data sequer nas suas tantas páginas, creio que sua publicação, em fascículos, tenha se dado no início da década de 40, até pela ortografia adotada.
Sabem o significado de pucela? Respondo: virgem, donzela.
E nessa linguagem rebuscada que, em muitos textos explanados pela Enciclopédia, se encontra o capítulo de Joana D’Arc, história relativamente conhecida com dezenas de portais na internet.
Sempre que me deparo com fenômenos incomuns, digamos, paranormais (milagres?) sou, de regra, remetido àqueles séculos de alto (e auto) fervor religioso, até por conta da perigosa inquisição patrocinada pela Igreja Católica.
Nos dias de hoje há tanto tumulto que esse fervor se perde ou se perdeu.
Tenho para mim que essa Enciclopédia, tão bem estruturada, tão cheias de fotos (imagens) que quando li sobre Joana D’Arc, me deu a impressão de que estava me inteirando de documento oficial, da época mesmo.
Nascida em Domrèmy, na França, em 6 de fevereiro de 1412, na guerra entre França e Inglaterra, há o seguinte trecho que dá conta de sua primeira visão:
“Na Bassigny, os aldeões são proibidos de acender o lume, para não fornecerem ao inimigo o fogo com que eles queimem as choupanas. O que não impede os ingleses de invadirem o Barrois (junho de 1425) e incendiarem Revigny. Os bandidos devastam Domrémy e a aldeia de Creux.”
E a visão de Joana:
“Nesses dias de verão, um domingo, à hora em que os sinos tocam a completa, Joana vê o arcanjo S. Miguel aparecer ‘junto com o coro de anjos do céu”. Ele diz-lhe a grande lástima em que o reino se encontra, fala-lhe do socorro que é necessário levar ao rei legítimo. Joana conta treze anos; fica perturbada. Sua mãe não a mandou aprender a ler e somente lhe ensinou as suas orações...” (2)
A partir dai a história de suas façanhas são exaltadas:
Nessas mensagens e visões, lhe fora passada a missão: libertar a França do jugo inglês, que dominava quase todo o país e proclamando rei, Carlos VII, o verdadeiro monarca francês.
Resistindo inicialmente à ideia porque uma menina ainda e ainda mais naqueles tempos, não sabendo como cumprir a missão, mas demonstrando muita força interior, acabou convencendo líderes militares franceses, a ponto de comandar exércitos e vencer batalhas impressionantes sobre os ingleses, algumas consideradas milagrosas, como a que resultou na libertação de Orleans, em 1429.
Outras vieram, até ser capturada pelos ingleses, sofrendo grandes sacrifícios e privações na prisão, além de tripudiada pelos soldados que a vigiavam. Um ano depois, em 30 de maio de 1430 quando comunicada que morreria na fogueira acusada de heresia e bruxaria:
“Ai de mim! gemeu ela. Tratar-me-ão assim horrível e cruelmente, sendo preciso que todo o meu corpo, que jamais foi corrompido seja hoje consumido e reduzido a cinzas! Protesto diante de Deus, o grande juiz, contra as injustiças e agravos que me fazem...”
E nesse dia deu-se o terrível sacrifício. As vozes falavam em libertação. Ela entendera o sentido.

Depois de um processo de reabilitação que teve início em 1456, a Igreja Católica que a havia condenado a beatifica em 1909. Em 1920 e declarada santa pelo Papa Bento XV.
É a santa Joana. É a heroína da França.

(Sempre há menções sobre sua indumentária, de corte masculino. Ela usava essas roupas, de guerra, para não constranger os soldados comandados por uma menina adolescente, virgem. E cortou o cabelo, deixando-o curto para não parecer tanto aquela menininha adolescente. E havia sempre o risco do atentado sexual entre aqueles soldados bárbaros)


Referências:

(1) Livraria Chardron – Lello & Irmãos, Lda – Editores – Porto - Portugal
(2) Usei a ortografia atual
Imagem / Foto
(1) Imagem de abertura do verbete de Joana D’Ar na Enciclopédia
(2) Monumento (dourado) a Joana D’Arc no centro do Paris (desde 1874) na praça de Rivoli.

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