22/01/2023

UM TIPO NOTÁVEL (I)

 O RANCOR E A GRATIDÃO


Acho que já disse que estendi ao máximo minha “vida  estudantil”, o quanto deu até que um dia – eu já trabalhava nesse tempo – tive que buscar uma atividades mais segura na vida profissional. Afinal de contas, a despeito do interesse dos meus pais, quem haveria que bancar o curso superior seria eu mesmo.

Não demoraria muito, fui trabalhar na principal multinacional da cidade (automobilística).

Um choque tremendo porque eu não havia perdido os encantos de poucos anos antes da vida estudantil, da pequena imprensa... (*)

O supervisor tinha lá seus “grilos" a resolver, porque mal resolvidos - esses caras que um dia pensaram em ser padres -, tinha atitudes intempestivas, era ríspido.

Deixou a marca da ferradura.

Ah, sim, tenho até hoje uma marca dela no peito já cicatrizada.

Não posso dizer que tudo foram desenganos, rancores e vontade de fugir dali.

Foi nesse clima, porém, que por decisão dele, viajei de avião pela primeira vez, foi lá que conheci Brasília em “missão” profissional, foi lá que aprendi a dirigir para valer, foi lá que me desinibi ministrando palestras para supervisores em formação. Foi ela que comecei a entender a Justiça do Trabalho sendo o preposto da empresa ainda acadêmico. Houve também momentos de empolgação, o interesse que adquirira pelo sindicalismo, que me levaram a estudos e acompanhamento muito de perto do movimento sindical e grevista do final da década de 70 e até meados de 80 no ABC...

Mas, havia o outro lado da moeda: foi lá que ia encher o tanque do carro do chefe com alguma regularidade, ia obter assinaturas de documentos lá pelos fundos da fábrica em busca dos superintendentes que deveriam assiná-los.

Ora, direis, lições de humildade...

Não somente eu tinha essas “lições de humildade”. Colegas mais categorizados eram designados para tarefas incompatíveis com sua formação e função.

Mais não digo porque não é necessário dizer.

Algo que me marcou muito: com a perua Veraneio da empresa rumei muitas vezes pela periferia mais periférica de São Paulo (chegava nesses locais afastados por rumo com base no Guia de São Paulo que não mais existe) tentando achar empregados de linhas de produção desaparecidos. Muitos “desaparecidos” flagrei em pequenos botecos em bairros remotos jogando bilhar com garrafas de cervejas já consumidas.

Não somente isso: algumas vezes me obriguei a compulsar o livro dos horrores no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo aquelas fotos “no estado em que foram encontradas as vítimas”, para tentar identificar um empregado desaparecido que não deixara vestígios. O ar por ali era ruim, o odor da morte “in natura”.

Eu me convertera num operário de relações trabalhistas “faz tudo” (“labor relation does it all”). Com o tempo e por conta do salário, dos laços familiares, filhos nascidos, fui me adaptando e, de certo modo, me anulando, aquele sentido de perda por tudo que julgava havia feito, aqueles valores pessoais coisas que julgava importante ter realizado.

Às vezes, nas minhas angústias acusava a empresa de ser um cemitério de talentos.

Quando deixei a empresa, não fui muito educado com o supervisor quando me despedi. Disse-lhe coisas que pensava ter que dizer, tal a minha amargura, então. Posso dizer que depois me arrependi ao extravasar meu rancor por causa da ferradura indelével que mantinha moralmente no peito.

Muitos anos depois, já trabalhando em outra multinacional, vez por outra eu o encontrava em reuniões no sindicato patronal. Era, então, ele, gerente da mesma empresa e competente negociador empresarial.

Um dia, numa reunião burocrática dessas, ele começou a falar de uma doença que o vitimava e se pôs a chorar copiosamente. O coordenador da reunião cuidou de acalmá-lo.

Eu não tripudiei seu choro sincero. Não. Ele demonstrava para quem quisesse ouvir sua fraqueza humana. E eu lá estava ouvindo.

Tudo tem seu tempo e mesmo o tempo de vida.









Eu tenho quase apagada a marca da ferradura moral mas “do alto, aqui no meu canto”, olhando as flores lá fora, confesso sem vacilar que tenho o dever da gratidão. Com ele aprendi muito até a não ser como…


Referência

(*) Acessar: Memória - Anos 60 - SCSul

05/10/2022

DIA DE SÃO FRANCISCO

 04.10.2022

DIA DE SÃO FRANCISCO: o Brasil não tem projeto ambiental. Só dos grileiros. Sabem o que têm sob as árvores ceifadas e incendiadas? Milhares de animais sendo mortos. E aí, muitos são os que fazem pose com animais de estimação e fecham os olhos para o que se passa na Amazônia, no Cerrado e no que resta da Mata Atlântica. E não se esqueçam: nos pastos fertilizados em áreas devastadas das florestas, alimentam animais que serão trucidados nos matadouros para consumo humano. Feliz dia de São Francisco.

Acessar livros: SÃO FRANCISCO DE ASSIS


01/08/2022

VOCÊ ACREDITA EM DESTINO? (*)


Fixado no horizonte do “interiorzão” que não chove, ar seco, sou acordado com um leve tapa nas costas.

- O destino provocou este reencontro depois de tantos anos.

Nem sabia o nome do meu “destinado” não o reconheci.

Ele se reapresenta. Sou o F. do Colégio…

Com muito esforço me veio uma imagem jovem, um estudante já acadêmico, então, agora mal vestido, barba por fazer. [Mal vestido? O “meu” pessoal diz que do jeito que ando, se estender a mão na rua posso até receber umas moedas].

- Ah, sim, me lembro agora. Você recitava marxismo naqueles tempos “perigosos” e agora vem falar em...destino?

Ele ri. Pergunto o que ele faz porque me parecera um sujeito muito culto naqueles tempos.

Me olha como se saísse dali, seus olhos se perdem no vazio, alguns segundos depois sem responder:

- Quando moleque, nas rodas adultas, não poucas vezes ouvi quem perguntasse aos interlocutores – “Você acredita em destino?” Você, não?

E prosseguiu:

- Os antigos também, com o inesperado da vida, se indagavam sobre o destino; se a vida, no essencial tinha desígnios fora do controle, as fatalidades.

Percebendo que estava eu atento:

- Olha não para complicar mas há duas tragédias gregas pré-socráticas que explanam sobre os efeitos do suposto destino, “Prometeu acorrentado” de Ésquilo e “Édipo Rei” de Sófocles. Nem falo de Sócrates com aquele seu sentido crístico. Uma coisa curiosa, ele rejeitou o suborno proposto por um discípulo para facilitar sua fuga de Atenas e da cicuta. Volto às tragédias. Prometeu fora acorrentado por ajudar, instruir os homens, os mortais, com uma série de culturas práticas de vida, inclusive o manejo do fogo. Zeus é apresentado como um deus cruel, vingativo, que castiga severamente Prometeu e quando este o desafia, mesmo acorrentado, seu castigo é agravado: o abutre do deus todo dia devoraria um pedaço do seu fígado - que é reconstituído durante o dia. Algo como o inferno de Dante, castigo eterno. Quanto a Édipo, o Oráculo de Delfos previra para o menino uma tragédia bárbara: mataria o pai e se casaria com a própria mãe. Fora, então, abandonando numa várzea, salvo por um pastor e, com o decorrer da vida, esse “destino” se realizou: matou seu pai e se casou com Jocasta, sua mãe. Dessa tragédia sairia o complexo de Édipo de Freud.

Pensou um pouco e foi concluindo:

- Claro que são peças teatrais mas elas atravessam os séculos, 400, 500 a.C. Quanto há de reflexão nisso?

- Pois bem, disse eu, eu tenho comigo uma tragédia que bem jovem muito me emocionou. Pois foi assim. O menino era apelidado de Bila, Quantos anos, quatro ou cinco? Quase todos os dias pela manhã, tomava seu café e saía à rua, sentava-se na guia e comia sua fatia de pão com manteiga.

Naquela manhã, ninguém sabe de onde, foi atacado por um cachorro louco – mas louco mesmo! O cachorro doente teve que ser morto e o foi com um taco de baseball arrumado na hora. Os ferimentos no rosto do Bila foram tão graves que ele não resistiu e faleceu poucos dias depois. Veja, um menino tão jovem com um destino tão trágico? Que emocionou tanto!

- Ah, meu caro, Sócrates, não sei se defendendo ideias de Platão admitiu a imortalidade da alma e os renascimentos sucessivos. Saiba, então, que no Evangelho de João, quando Jesus cura um paralítico ele o adverte: “não peques mais, para que não te sucedas coisa pior”. Em que momento da vida do paralítico “coisas piores poderiam acontecer”? Afinal ele fora curado havia pouco… e perdoado. Se a alma é imortal… há “dívidas contraídas” para serem saldadas nalgum tempo? Pode ser um castigo ou um aprendizado. Talvez o menino tivesse um “saldo” de vida a completar com uma tragédia. Observe em sua volta as diferenças nos semelhantes. Olha, meu caro, você acredita em destino? Responda aí. Vou saindo porque não estou agradando.

Usei meu chavão:

- Sabe duma coisa? Não explico sequer o sabor duma manga, o espocar duma rosa. Nada sei do essencial da vida…

F. riu, e quem sabe? e rapidamente saiu do meu campo de visão como uma sombra.





(*) Publicado na Revista “O Ginasiano” nº 41 de agosto de 2022.

Acessar: https://online.fliphtml5.com/umpdp/niwr/?1659322162764



09/06/2022

MINI RESENHA AMBIENTAL

MINHA” ÁREA VERDE

Já falei sobre isto: há alguns anos, aqui bem perto de onde moro, há uma “corredor” de áreas verdes que "cortam" no seu final pelo menos três ruas sem saída.

Na do meio mal formada, poucas árvores, há anos, com uma velha piscina de plástico recolhi uma quantidade imensa de pedras e despejei na primeira área, sem árvores - um  depósito de entulho e com as minhas pedras.

Então, comecei gestões até ao aborrecimento na Prefeitura a ponto de, num domingo, ser surpreendido por uma grande motoniveladora que arrastou o entulho e as pedras para um terreno vizinho. Nada de anormal até porque mais tarde ali se construiria uma casa "fechando" a área. 

Com a área limpa, obtive mudas em Americana e num dia de chuva intensa eu as plantei pessoalmente.


Cresceram muito.

Mas, não foi somente essa a minha, digamos, “intervenção” nesse tipo de ação. Talvez tenha influenciado o plantio de ipês, em número razoável, em Águas de São Pedro.


PREDAÇÃO

Hoje, embora as árvores estejam grandes, há ainda a ação de predadores que insistem em “podar” indevidamente e até cortar uma ou outra sem qualquer motivo.

Numa delas deixei até um aviso para que o predador permitisse que a árvore se recuperasse aos primeiros brotos insistentes renascendo. No dia seguinte o aviso estava picado e os brotos arrancados.





Pior se deu com uma muda de bananeira que plantei ali.

Todas as mudas que insistiam em se desenvolver eram pisoteadas.

No exato dia mundial do meio ambiente a última delas foi, também, destruída.

Se fosse permitido que elas (as mudfas) se desenvolvesse, estariam, com forte possibilidade hoje, de estarem com cachos pendurados. Se ninguém aproveitasse os frutos, aproveitariam os passarinhos e os gambas esfomeados porque seu ambiente natural praticamente não existe.

Bananeiras tem algo de “divino”. Numa noite, “explode” no silêncio um coração e, então, o cacho começa a se desenvolver pela manhã.


Um dia, na área verde do meio plantei uma muda de “pau brasil”. Sem entender as razões, uma  semana depois essa muda estava arrancada.


Mas, estou me acostumando com esses desgosto. Há mentes predadoras, indiferentes que não sabem bem o que fazem.

E essa irresponsabilidade tem exemplos de quem dá mau exemplo. O caso do mito da "Amazônia é nossa" que vai sendo tomada pela a grilagem, pela posse ilegal de áreas imensas, desprezo fatal aos indígenas, a derrubada vertiginosa e criminosa das florestas isso tudo está tácita e inconsequentemente autorizado.


FRASES

(De artigos e crônicas que escrevi - neste caso a mais antiga é de 1984)

I

 Enquanto isso, os técnicos, diante dos fenômenos naturais incomuns que se intensificam no mundo todo, costumam achar explicações científicas e racionais concluindo, em outras palavras, que se trata de um capricho da natureza.

● Dessa forma, acima dos cálculos e dos gráficos, latentes e poderosas permanecem as mensagens intuitivas que, silenciosamente, vão nos dando a medida das coisas. E a essas, não é nada coerente ignorarmos.

A natureza age com outras forças. Notem os prognósticos dos meteorologistas, cuja única tarefa é analisar as condições do tempo. Passam horas diante dos seus instrumentos e gráficos e com que frequência erram em suas previsões.

1984

Acessar: O FAZEDOR DE DESERTOS


II

● Entre nós, de muito pouco podemos nos vangloriar. A motosserra trabalha incansavelmente e de modo insano, tanto na Amazônia e no pouco que resta da mata Atlântica, ora para captar madeira nobre, ora para produzir carvão, ora para aumentar pastos, significando nesse caso, que as áreas devastadas ficam a um passo da desertificação.

● Esse efeito também se dá em razão das imensas plantações de grãos, embora seja imperioso preservar áreas verdes nessas plantações de tal ordem a garantir um mínimo de equilíbrio. 

2003

Acessar: UM MUNDO EM DEVASTAÇÃO


III

● Não explico sequer o sabor duma manga.

● Do espocar duma rosa!




Da vida nada sei do essencial.

Acessar: NADA SEI DE ESSENCIAL


IV

● Há uma indagação interessante: as planta rompem com a lei da gravidade ao levar para os altos, quantas vezes por metros acima do solo, sua seiva e eu acrescento, também a água para produzir frutos. São as raízes espécie de bomba d'água? O que dizer, para ficar num exemplo simplório, a frutificação das laranjas e a abundância do seu sumo? 

Acessar: VIDA SECRETA DAS PLANTAS  (Trecho)


V

(Trechos de um artigo transcrito no portal do CPTEC/INPE - 22.09.2010)

As queimadas, provocadas deliberadamente ou não, são as nossas tragédias diárias que se propagam pela incompetência oficial em coibi-las e combatê-las. Dai o agravamento da situação ambiental e a ampliação da desertificação em imensas áreas. 

● O meio ambiente pede ajuda.                                              

"Esquecemo-nos, todavia, de um agente geológico notável – o homem. Este, de fato, não raro reage brutalmente sobre a terra e entre nós, nomeadamente assumiu, em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos. Começou isto por um desastroso legado indígena. Na agricultura primitiva dos silvícolas era instrumento fundamental – o fogo."

● A citação acima, refere-se aos desertos provocados em regiõe diversas antes predominantemente no nordeste com as queimadas praticadas de modo desastroso que, ao longo do tempo, foram devastando imensas áreas de "flora estupenda".

● Não foi ela extraída de algum manual recente de entidade ecológica, entre tantas nacionais e internacionais que criticam a omissão brasileira na questão das queimadas havidas na floresta amazônica. Ela é de autoria de ninguém menos que Euclides da Cunha, ao estudar "a terra" em seu livro "Os Sertões", cuja primeira edição apareceu em 1902.

● Então, já então no início do século passado, demonstrando certa perplexidade e amargura, apontava Euclides o absurdo das queimadas para abrir espaços para a atividade pastoril ou, "ao mesmo tempo o sertanista ganancioso e bravo, em busca do silvícola e do ouro".

● Décadas e décadas se passaram e a prática do fogo continua destruindo desordenadamente as florestas brasileiras, quase que extinguindo a mata atlântica e agora, em proporções assustadoras, vai predando própria selva amazônica e o cerrado.

● É brutal a omissão oficial a essa calamidade, cuja fumaça das queimadas – provocadas ou não - cega transeuntes, fecha aeroportos e dificulta a respiração de crianças, exatamente na região antes conhecida como o "pulmão do mundo", qualificativo que fora um orgulho para nós brasileiros, pelo menos para os que pensam um pouco mais à frente.

● À omissão, aliam-se o absoluto desrespeito à vida, pela natureza e pelo mistério das matas virgens, com as milhares de vidas que sustentam, levadas de roldão, inapelavelmente, pelo fogo.

Acessar: QUEIMADAS E DEVASTAÇÕES



PENSAR? Nem pensar...






09/05/2022

VOLTA AOS TEMPOS POÉTICOS (II)

NADA SEI DE ESSENCIAL    


Ah, meus caros, aqueles tempos

De (ir) responsabilidade e

Imortalidade...

Isso era o que eu sentia

A felicidade era em si mesma

Não percebida mas vivida,

Mas, o existir não é sempre assim

Os chamados da vida que um dia chamam

Os dissabores até severos e os amores

Laços de família

Tudo vai vencendo, indo

Eis me aqui, agora, certo de minha mortalidade

Nestes tempos que… assustam.

Nada tem respeito, nem as florestas

Os animais

Habito em mim mesmo

Miro-me no espelho fixo-me nos olhos,

O que há atrás deles, onde habito?

Então, sabendo da mortalidade

Tantos do meu tempo se foram, já.

Sou instruído que da vida o essencial ninguém sabe

Não explico sequer o sabor duma manga

Do espocar duma rosa,

Bato nas janelas opacas da minha habitação

Não há resposta

Apenas um tênue sentido de religiosidade

Na interioridade, nos sonhos...

Os sonhos o que são? 

Que interações há nos sonhos com vivos e... mortos

Bem, não me é dado ir além do que sou

Um simples mortal com os dias contados...

E depois?

Nada sei do essencial...






26/04/2022

VOLTA AOS TEMPOS POÉTICOS

 O MENINO DO DEDO VERDE de Maurice Druon


"A gente sabe onde uma guerra começa, mas nunca onde vai parar. Os Voulás podem chamar em seu auxílio um grande país, e os Vaitimboras pedir a ajuda de um outro. E os dois grandes países entrarão em guerra. É o que se chama uma extensão do conflito." (do personagen Trovão)


Esse livro, mesmo o tradutor, D. Marcos Barbosa, aproxima sua mensagem à do "Pequeno Príncipe" porque o menino Tistu, além de questionar muitas das mazelas da sociedade e mesmo de sua casa, porque seus pais eram muito ricos.

O negócio do pai de Tistu era produzir canhões. 

O menino se chamava João Batista. As pessoas grandes não conseguiam chamar o menino pelo seu nome verdadeiro, nas por Tistu. Os cabelos de Tistu eram loiros e cresposm com grandes olhos azuis e faces rosadas e macias. 

Incapaz de frequentar a escola normal porque adormecia, então seus pais decidiram que ele recebesse instrução do jardineiro Bigode. O jardineiro conversava com as plantas. E foi com ele que Tistu descobriu que seu polegar tinha o poder de fazer brotar plantas e flores em qualquer lugar que fosse. 

Tistu era muito feliz.

A sua cidade onde nascera se chamava Mirapólvora.

Mas, seu pai resolveu que Tistu receberia, também, lições de "ordem" transmitidas pelo sr. Trovão, o homem gritão, de confiança. 

A conhecer a prisão ele a humaniza a prisão com plantas e flores que seu polegar verde possibilita produzindo grande repercussão.

Toda essa humanização com as plantas ele vai praticando em segredo, só sabido pelo jardineiro Bigode até que eclode uma guerra.

"Desde que se entendia por gente Tistu ouvia repetirem: — Tistu, meu filho, nosso negócio é excelente. Canhão não é como guarda-chuva, que ninguém quer comprar quando faz sol. Ou como chapéu de palha, que fica na vitrina quando chove. Canhão sempre se vende, seja qual for o tempo!"

A fábrica do seu pai começa a produzir canhões para os dois lados em conflito, situação que ele, além da guerra, não compreendia.

E a guerra fora declarada para a posse de um deserto, porque nele havia petróleo.

Quando questiona Trovão sobre essa anomalia, recebe um bofetão. 

Tistu, então, resolve fazer dos canhões, floreiras impedindo seu funcionamento. A guerra é "cancelada".

Com a fábrica de canhões desmoralizadas seu pai resolve produzir plantas e flores. E a cidade de Mirapólvora e batizada de Miraflores.

Tistu conversava com o pônei Ginástico e dele se despede e deixa com o animal siniais de que tinha partido. Ele sobe numa escada às alturas, e envolvido por núvens e desaparece.

"Quando os moradores da Casa-que-Brilha saíram aquela manhã a chamar Tistu por todos os cantos, viram no meio do prado dois chinelinhos e uma frase escrita em belas letras douradas: TISTU ERA UM ANJO!"

Tistu era um anjo.


MEU DESABAFO QUE FAÇO HÁ DÉCADAS.

Nestes tempos, este planeta sofrido, devastado, desrespeitado em suas fontes essenciais de vida, com guerras sujas ressurgindo nem sei se o Tistu daria um jeito. Mas, ele faz falta.

Diria que o verde, no seu todo, é parte da essência do planeta. Nem sei se nós, humanos, somos também uma essência. Acho que não porque somos tremendamente predadores, inconsequentes, movidos pelo fator dinheiro, lucro, ambição desenfreada.

Ora, direis, estás em emoção e se excede. Não, não penso desse modo até porque há muito percebi que este planeta é o mundo das diferenças, das divergências e até... da destruição.

Sinto tempos cada vez mais difíceis de viver neste planeta que seria um paraíso mas faltam polegares mágicos.

Só não sou apocalíptico...  ainda.


A AMIGA DA CATALUNHA

Embora seja paulistano, "a essência da minha vida", digamos, foi moldada no ABC, especialmente em São Caetano do Sul.

Uma coisa que me intriga até hoje foi estudar o colegial no Colégio "Cel. Bonifácio de Carvalho" (no "Coronel"). Porque, minha graça, quantas vezes disse isso, havia o primor de tantas alternativas, um sentido de imortalidade, de realizações, de felicidade não  apreendida, então, até um pouco mais da metade da década de 60. Aquele tempo quem viveu em SANCA pode dizer que viveu num planeta paralelo.

Nunca vi, das vezes que encontro ex-alunos do "Coronel" não registraram que lá estudaram.

Feita essa introdução, tenho uma amiga daqueles tempos que vinda da Catalunha, lá estudou e sempre se refere ao Colégio de modo carinhoso.

No blog "Dos livros lidos", na resenha do livro Stalin, ele me remeteu da Catalunha, está mensagem em 22 de abril:

Maria Rosa Cuartero Soler

Meu querido amigo Milton : amanhã, aqui na Espanha, também é o dia do LIVRO 📙 e o dia de SÃO JORGE, neste caso o Salvador da CATALUNHA, do malvado DRAGÃO  que queria destruir a nossa maravilhosa cidade. É festivo, só no PAÍS CATALÃO. As ruas de todos nós, estão cheias de paradinhas, cheias de livros 📚 , e de ROSAS VERMELHAS, envoltadas em celofane, com a bandeira deste lindo (no Brasil, seria ESTADO), na Espanha, é odiada. Nesse lindo dia, nos comemoramos também o dia do AMOR. As mulheres, damos de presente pro homem que mais amamos, um livro 📙  e os homens que  amam as mulheres, sejam elas as que sejam, como namoradas, esposas, mães, filhas, e até boas amigas, uma ROSA 🌹  e tudo está cheio da nossa bandeira, que a mais, pede a LIBERDADE.


A imagem abaixo inspira a comemoração do Dia de São Jorge e dia do livro (23.04):


Tradução da mensagem em catalão:

Um símbolo...uma identidade de
pais... uma mostra de estima...Qualquer
motivo e para te desejar 
FELIZ DIA DE SÃO JORGE

(E, diz ela: você pode ver que o idioma
não é muito diferenciado do brasileiro)

E, por fim, em outra mensagem conclui ela: "Nunca quero perder sua amizade"



Família da Maria Rosa: seu filho Márius, profissional destacado da Saúde e sua netinha Ivet em 20 de setembro de 2021.

A capital da Catalunha é Barcelona. Os que a descrevem a consideram cidade magnífica.

    A Catedral de Barcelona

É em Barcelona que acontece uma das maiores celebrações em homenagem a São Jorge porque é o padroeiro da Catalunha desde o século 15. Então, todos os anos a cidade se colore com flores para celebrar o dia de Sant Jordi, em 23 de abril. A data também passou a marcar o dia dos namorados (do amor) e o dia do livro.

A Catalunha tem aspirações de independência em relação à Espanha, pelas suas tradições próprias, sua cultura diferenciada e sua língua, a catalã. E, também, pelo seu poderio industrial, comercial e econômico.

A Catalunha no mapa da Espanha


POEMETO

Zé da sacola


Vocês o conhecem?

É o José da sacola?

Pedindo esmola

É o José sem ninguém

É o Zé das brigas

Que não liga às intrigas

E o Jô sem escola

Que pede e esmola


Lá vem o Zé maltrapilho

Vive da caridade

Que sujeitinho sujo!

Ah! Como lhe rói a saudade


É o Jô que dorme na rua

Que injuria a usura

Ri da sorte, ri da vida

E a alma? Essa é pura.


É o Zé da sacola

Esse poemeto foi escrito em 1966, nem sei se pessoas assim tem "alma pura" pela lei da causa e efeito, por nada realizarem. Talvez se um Zé desses tiver pensamentos puros conforme a alma, terá reflexos favoráveis no ânimo do planeta. Pensamentos puros são captados por aqueles sintonizados com esse nível de recepção.

E pensamentos evoluídos, aqueles que engrandecem, não têm como chegar nestes tempos sórdidos, do baixo calão, e do chulo hoje proferidos como “liberdade de expressão".

Pensamentos construtivos não vencem o bloqueio da mente assim turvada.

LIVROS LIDOS - MEU BLOG

Sei que falar de livros o alcance é limitado e isso sem qualquer presunção de minha parte que os preservo muito. É isso aí e ponto.

Tenho AINDA um blog "DOS LIVROS LIDOS" que tem acessos limitados até porque o Google não cadastra todos. Esses acessos, ainda assim, se realizam em países diversos.

Eu desconfio um pouco, ou um pouco mais, das estatísticas registradas pelo próprio blog porque há sempre a ação indevida dos hackers mesmo para atacar simples resenhas de livro.

De qualquer modo, os seis livros mais acessados são, nessa ordem:

1 - A Divina Comédia (Inferno) de Dante Alighieri

2 - A Insustentável Leveza do ser de Milan Kundera

3 - Odisseia de Homero

4 - Rumo à Estação Finlândia de Edmund Wilson

5 - Mistérios e Magias do Tibet de Chiang Sing

6 - O Mistério das Catedrais de Fulacanelli

Os países que mais têm acessado o blog dos livros, são:

Estados Unidos

Brasil

Ucrânia

Suécia

Rússia

Alemanha


Essas resenhas que tenho feito, nesta data de 91 livros tem por objetivo desembaralhar o que tenho lido e se apresentar como lembrete a mim e a quem mais interessar.

Em alguns livros me dediquei muito na resenha e comentários, entre eles "Os Sertões" de Euclides da Cunha e "Rumo à Estação Finlândia" de Edmund Wilson obras muito acima da média. Mas, há outras tantas.

O endereço abaixo dá acesso aos 91 livros acessados até agora:

Acessar: Dos livros que li

SOBRE SÃO FRANCISCO

Texto recuperado

São Francisco viveu de 1182 a 1226 falecendo em Assis, Itália.

Impôs-se a pobreza absoluta.

Bom, e a visita ao seu túmulo em Assis?

Pois estou em Assis. Quando então, uma basílica reformada depois de abalada em parte por um terremoto, nos rumo do túmulo de São Francisco.

Sobe-se uma ladeira não muito íngreme, rodeada de pequenas lojas e barracas de souvenirs" que exploram sem cerimônias, o comércio, tendo como chamariz, claro, a imagem do próprio santo.

Mas, isso não deslustra aquilo que chamarei "a força espiritual de São Francisco", porque ao se descer até o túmulo, dentro da catedral, esse mundo de sacrifícios e atribulações fica distante, lá fora.

As impressões são daquele dia da visita. O ambiente com pouca iluminação.

Parece-me que, sejam céticos, sejam crentes, sente-se invadir um sentimento de serenidade.

Para alguns, volta-se contra o rosto uma suave sensação de iluminamento.

Para outros, exalta a emoção espontânea que provoca um "nó" na garganta.

Não sei se me excedo nas impressões, pode-se ouvir um silencioso mas eloquente discurso de paz, amor e fraternidade que influenciam mesmo os descrentes. E, por isso, parece haver um convite à permanência, ali, por um pouco mais tempo do que a expectativa inicial indicara.

Mas, é preciso dizer que essas sensações interiores, pelo que apreendi é lá estar sem oposição ou preconceitos. Apenas lá estar.

E, mais ainda, vivenciar um ambiente de profunda solenidade, exatamente aquilo que ele, em vida, renunciara com toda convicção.

Mais sobre São Francisco, acessar:

Livros lidos sobre S. Francisco